O declínio esperado do setor de serviços
O Estado de S.Paulo
O setor de serviços depende do comportamento da indústria, do
comércio e do agronegócio. Portanto, com o enfraquecimento da produção
industrial e das vendas do comércio varejista, o recuo do setor
terciário - verificado em quase todo o ano passado - era não apenas
esperado, mas praticamente inevitável. A surpresa foi a intensidade da
queda: os dados de novembro, divulgados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que houve crescimento nominal
da receita de apenas 3,7% em relação a novembro de 2013, o que significa
um forte declínio real, pois a inflação no período foi de 6,56%.
A
indústria, o comércio e o governo "estão cortando custos e demandando
menos serviços", explicou o responsável pela Pesquisa Mensal de Serviços
(PMS) do IBGE, Roberto Saldanha. Entre os que mais demandam serviços,
as famílias "estão mais seletivas", acrescentou. É o resultado da
inflação renitente que corrói a renda das famílias e, em consequência,
as receitas do setor de serviços.
A evolução da receita
nominal de serviços declinou ininterruptamente desde fevereiro do ano
passado, quando crescia à taxa anual de 9,8% - chegou a 6,2% em
novembro. Se a queda continuar, como se supõe, enquanto os preços se
aceleram, na média, o setor de serviços tende a passar da estagnação
para a recessão nos próximos meses. Os especialistas já consideram que
os dados de novembro do setor contribuirão para a retração do Produto
Interno Bruto (PIB) no último trimestre.
Os itens que mais
pesam na PMS são os serviços profissionais, administrativos e
complementares (cuja receita evoluiu 6,6% entre os meses de novembro de
2013 e de 2014) e transportes, serviços auxiliares de transportes e
correio (cuja receita subiu apenas 3,9%, na mesma base de comparação).
Em
termos regionais, houve declínio das receitas nominais do setor no
Amapá, Roraima, Rondônia e Mato Grosso. Em São Paulo, Minas Gerais, Rio
de Janeiro e Rio Grande do Sul, a receita cresceu menos do que a média
nacional.
Com um peso de mais de 2/3 na economia
brasileira, os serviços geraram 476 mil vagas formais em 2014 - em
geral, de baixa qualificação. Mas, na indústria, cujos trabalhadores
recebem melhores salários e são, portanto, consumidores de serviços,
foram suprimidos quase 164 mil postos. Assim, é provável maior queda na
demanda de mão de obra do setor terciário.
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