Sem importados, argentinas vivem ‘crise dos tampões’
Escassez de absorventes produzidos no Brasil gera polêmica nas redes sociais
Janaína Figueiredo - O Globo
As mulheres argentinas começaram o verão sofrendo a escassez de
absorventes da marca OB (fabricados no Brasil) e outras similares
importadas, segundo empresas do setor, pela aplicação de barreiras
protecionistas por parte do governo da presidente Cristina Kirchner. A
já chamada “crise dos tampões” provocou polêmica nas redes sociais, onde
muitas mulheres expressaram sua irritação pela falta do produto.
O Ministério da Economia informou nesta quarta-feira que a crise foi
provocada por uma “desinteligência” das empresas fornecedoras do produto
e assegurou que o problema será resolvido nas próximas semanas. “As
empresas calcularam mal seus estoques”, disseram fontes do Ministério da
Economia argentinos a meios de comunicação locais. No entanto,
representantes de farmácias e supermercados asseguraram que a escassez
foi provocada pela demora do governo em autorizar a importação dos
produtos e a liberação de dólares por parte do Banco Central aos
importadores.
— Sabemos que houve atrasos na autorização dos pedidos de importação
e, também, na liberação de dólares — confirmou Miguel Ponce, da Câmara
Argentina de Importadores (CIRA).
Também estariam faltando protetores solares importados, entre utros
produtos, cuja demanda aumenta de forma expressiva no verão. A “crise
dos tampões” foi um dos assuntos mais comentados no Facebook e Twitter
nos últimos dias. “Não sabia que tampões eram bens de luxo”, escreveu a
argentina Maru Ocretich, em sua conta no Twitter. Já Laura Parra, outra
usuária da rede social, avisou: “Meninas, não procurem mais tampões, não
vão encontrar”.
A jornalista do “Clarín” Natasha Niebieskikwiat virou notícia ao
comentar que várias de suas amigas lhe pediram que trouxesse absorventes
do México, pela escassez do produto no mercado local. Natasha foi
entrevistada pelo noticiário “Telenoche”, um dos mais vistos do país,
onde contou que “minhas amigas me encomendaram tampões porque há várias
semanas não se encontram na Argentina”.
Marcelo Yarmaian, gerente de Marketing e Comunicação da Johnson &
Johnson, empresa que comercializa a marca OB, confirmou que
“experimentamos algumas dificuldades para satisfazer a alta demanda
interna de tampões pela demora no processo de importação”.
A Argentina não vive uma situação dramática de escassez como a
Venezuela, mas a aplicação de barreiras protecionistas afeta vários
produtos. O governo tem demorado a liberação de várias licenças de
importação e alguns produtos deixaram de entrar no país, como
brinquedos, alguns alimentos importados e medicamentos, entre outros.
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