sábado, 25 de abril de 2015

Após ser alvo de protestos no Mato Grosso do Sul, Cunha diz que não tem ‘medo de cara feia’
Presidente da Câmara foi novamente hostilizado, desta vez por integrantes da CUT contrários à terceirização
ANSELMO CARVALHO PINTO - O Globo
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a ser alvo de protesto de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), na manhã desta sexta-feira, durante visita a Campo Grande (MS) para participar de uma audiência pública na Casa da Indústria. Segundo a Polícia Militar (PM), cerca de 150 pessoas participaram da manifestação em frente ao local.
Indagado por jornalistas sobre o protesto, Cunha disse que não tem “medo de cara feia" e ironizou o ato:
— Eles (sindicalistas) têm o direito, recebem contribuição sindical para isso. Mas nós vamos continuar desempenhando o nosso papel - disse Cunha.
A audiência pública desta sexta-feira no Mato Grosso do Sul faz parte do programa “Câmara Itinerante”, que pretende levar a Câmara dos Deputados até as assembleias legislativas de diferentes regiões do país. A segurança foi reforçada no local.
Manifestantes e integrantes de movimentos sociais foram barrados pela Polícia Militar na entrada da Assembleia Legislativa do Mato Grosso. Um integrante do grupo, que protesta contra a lei que regula a terceirização, conseguiu furar o bloqueio e foi retirado a força. Houve um princípio de tumulto, mas ninguém foi preso.
À tarde, o presidente da Câmara visita a cidade de Cuiabá (MT).
O presidente da CUT no Mato Grosso do Sul, Genilson Duarte, afirmou que a entidade sindical é contra o projeto que regulamenta a terceirização no país, aprovado nesta pela Câmara dos Deputados. De acordo com Duarte, a proposta vai reduzir o salário dos trabalhadores em 25%. Na visão do sindicalista, Cunha conduziu de “forma truculenta” a votação do projeto na Câmara.
PROTESTOS CONTRA CUNHA SÃO CONSTANTES
Nas últimas semanas, Eduardo Cunha foi alvo de protestos em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraíba e Rio Grande do Norte. No dia 27 de março, o presidente da Câmara foi recebido com vaias e beijo gay na Assembleia de São Paulo. Na ocasião, cerca de 50 contrárias ao fato de o peemedebista, que é evangélico, já ter se posicionado contra a criminalização da homofobia protestaram contra o preconceito em relação aos homossexuais.
Em 30 de março, Cunha foi vaiado pelo movimento LGBT na Assembleia do Rio Grande do Sul, onde ele também foi recebido com beijo gay.
Em meio à visita do presidente da Câmara à Assembleia Legislativa da Paraíba, no dia 10, integrantes de movimentos sociais e sindicalistas invadiram a sede do Legislativo em João Pessoa. Na confusão, os manifestantes entraram em confronto com os seguranças do Legislativo para ter acesso às três galerias do plenário, onde promoveram um "apitaço". Uma porta de vidro do parlamento estadual foi quebrada em meio ao tumulto.
No mesmo dia, em Natal, Cunha foi obrigado a ingressar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte pela lateral do prédio para evitar contato com um grupo de manifestantes que o aguardava na fachada do Legislativo.

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