sábado, 16 de agosto de 2008

EM BRUXELAS ENCONTREI MINHA GALATÉIA

Sob o domínio de Morpheus, fui procurá-la em terras distantes. Atravessei tempestades oceânicas e terras estranhas, mas finalmente cheguei ao meu objetivo: a terra de valões e flamengos - a Bélgica. Marcamos um encontro no Manneken Pis (que os valões chamam de Petit Julien), uma estátua de bronze de um menino fazendo xixi. A noite estava começando, mas permanecia claro como se fosse dia. Quando ela chegou, com o seu perfume de menina e sorriso maroto de quem fez arte, trajava um jeans comum desbotado em algumas partes, com uma camisa esvoaçante, sensualmente decotada! Calçava tênis dourado, de lona, cano curto.
Seus cabelos bem cuidados realçavam a magreza e a brancura do seu corpo. Logo os seus olhos brilharam, indicando a direção a seguir. Fomos abraçados em meio a uma multidão, anônimos e felizes. Andamos pouco e chegamos a um lugar chamado Délirium Café, numa rua de nome curioso: Impasse de la Fidelité. Conversamos muito, sobre todos os assuntos, nossas mãos tocavam discretamente os nossos corpos, saciando a saudade que tinham de nossas impressões
físicas. Beijamo-nos, namoramos, dissemos um para outro pequenos segredos sem importância, juramos coisas impossíveis, mas a felicidade nos intoxicava. Depois de passadas algumas horas (perdi a noção do tempo), nos levantamos um tanto alegres demais e tomamos o rumo do próximo bar. Quis o destino que ele se chamasse A La Mort Subite, e o nome da rua lembrava o de um filósofo: Montagne aux Herbes Potagères. Lugar muito bonito, decorado com espelhos e colunas art-déco. Mais cervejas, misturadas a promessas de amor, de eternidade. De repente, justamente quando ela dizia o quanto me amava, Morpheus abandonou-me miseravelmente. Sentei-me na cama, bêbado com as cervejas do sonho e pensei: um bar não deveria se chamar assim.

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