Conselho da Petrobras: o que era uma distinção virou um fardo
Reinaldo Azevedo - VEJA
O
governo já consultou vários executivos e ex-executivos para integrar o
conselho da Petrobras. O que antes era uma distinção, um reconhecimento,
virou um fardo. Eles já avisaram que só aceitam conversar depois que a
estatal divulgar o seu balanço reconhecendo as perdas decorrentes dos
atos de corrupção. Na mira do governo estão Henrique Meirelles, Josué
Gomes da Silva, Beto Sicupira, Nildemar Secches, Rodolfo Landim e
Antonio Maciel Neto. Todos eles são oriundos do setor privado e
substituiriam políticos com cargo. Isso concorreria, aposta-se, para a
recuperação da credibilidade da estatal. O atual conselho, diga-se,
reúne-se nesta terça para divulgar o balanço referente ainda ao terceiro
trimestre de 2014.
Que coisa,
não? Já houve um tempo em que a Petrobras é que era um galardão a altos
executivos da iniciativa privada. Era quase como integrar um grupo de
sábios. Hoje em dia, as pessoas estão querendo garantias de que seus
respectivos nomes não serão tisnados pela politicagem. Jamais ocorreria,
mas deixo claro: se me convidassem, não aceitaria nem que um assento no
Conselho viesse junto com um pote de ouro, dado “por dentro” e com
recibo. A legislação que fez da Petrobras uma arapuca e um valhacouto
segue sendo a mesma. Com os marcos legais atuais, não toparia a função
nem que em sua diretoria estivessem apenas monges franciscanos,
especialistas em petróleo, mas com voto de pobreza.
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