Estupro de japonesa na Índia pode ter sido cometido por "gangue especializada"
Ellen Barry e Nida Najar - TNYTNS
Reuters
3.jan.2015 - Dois homens suspeitos do roubo e
estupro de uma turista japonesa são presos em Kolkata, na Índia. Eles
fariam parte de uma gangue especializada no golpeA história começou na Sudder Street, um local repleto de acomodações baratas para onde vão quase todos os mochileiros estrangeiros quando chegam a Kolkata. Uma deles, uma turista japonesa de 22 anos, ficou surpresa ao descobrir que seu novo conhecido indiano falava japonês fluentemente e estava disposto a ser seu guia local.
"Nós fizemos amizade, comíamos juntos e conversávamos sobre o futuro", ela escreveu em um inglês imperfeito cerca de um mês depois, quando voltou a Kolkata, antiga Calcutá, para prestar queixa à polícia. "Então ele me apresentou a um amigo. Eu também fiz amizade com ele."
Nas semanas que se seguiram, a mulher disse à polícia, os homens usaram os cartões dela para esvaziar suas contas bancárias, até que a pressionaram a viajar com eles e, finalmente, a fazer sexo com eles. No fim de semana, a polícia prendeu cinco homens por suspeita de vários crimes, incluindo roubo, cárcere privado, estupro, sequestro e conspiração criminosa. Apenas dois dos cinco são acusados de estupro.
Parentes dos homens acusados negam as acusações, dizendo que a mulher permaneceu com eles por vontade própria e até mesmo pegou dinheiro emprestado quando partiu no final de dezembro, disse B.K. Chaudhary, um policial no distrito de Gaya. Mas as acusações dela repetem as queixas de outros turistas e autoridades de turismo, que dizem que alguns guias turísticos em Kolkata abusam de turistas ingênuos, fazendo amizade com eles visando roubá-los.
"Eles são muito amistosos e falam com voz doce quando querem", disse Satish Singh, que trabalha em uma agência de turismo em Bodh Gaya, um destino de peregrinação de budistas que a mulher pretendia visitar e que conhece um dos acusados. "Eles armam uma armadilha. Eles não pegam dinheiro de cara. Mas então, depois, eles arranjam um programa para enganá-los. Eles tomam vinho ou outra bebida, e depois disso acontece."
Singh disse que muitos desses crimes não são denunciados, especialmente aqueles que incluem estupro. "Se a mulher é forte, ela pode ser franca com qualquer um", disse. "Se são fechadas, ninguém saberá. Elas simplesmente voltarão para seu país."
Muitos turistas japoneses vêm para a Índia para visitar Bodh Gaya, o local onde o Buda teria atingido a iluminação no século 6 a.C. Ao pararem em Kolkata no caminho, eles cruzam com guias que falam japonês, que oferecem pacotes turísticos aos destinos budistas, a cerca de 480 quilômetros de distância –guias como Shahid Iqbal, um dos acusados, cujo apelido é "Shahid Japonês".
Logo após a chegada dela em Kolkata, a mulher disse à polícia, os homens propuseram que viajassem juntos a uma praia próxima. Quando ela resistiu ("Eu estou sozinha, uma estrangeira, uma garota e apenas uma estudante", ela escreveu em seu relato), eles insistiram que já era tarde demais e que já tinham pago pelo hotel e pelo motorista. Quando ela concordou em ir, eles a convidaram para jogar cartas e então a pressionaram por mais dinheiro, para pagar pelo que ela perdeu no carteado.
Ela voltou com os homens para Kolkata, a vítima disse à polícia, mas então foi "levada à força para outro local no interior", onde ela descobriu que seus dois cartões de débito foram usados para sacar todo o dinheiro que ela tinha disponível, cerca de 50 mil rupias, ou US$ 790.
"Esses turistas circulam pelo vilarejo, tiram fotos e às vezes tentam falar com os aldeões", disse Paswan. "Nós não conseguimos falar com eles, porque não sabemos japonês ou inglês."
Paswan disse que a japonesa passou mais tempo no vilarejo do que a maioria dos turistas --10 a 12 dias-- e que era difícil dizer se ela estava lá por vontade própria. Ele disse, entretanto, que Javed se gabou de ter feito sexo com a mulher.
A queixa prestada pela mulher não diz que ela foi estuprada, mas Pallab Kanti Ghosh, um alto oficial de polícia de Kolkata que é o encarregado pela investigação, disse que ela declarou posteriormente que foi mantida no local por 12 dias contra sua vontade e estuprada por dois homens.
Após deixar Taro, ela viajou para Varanasi e relatou o ocorrido a um grupo de turistas japoneses que encontrou lá. A vítima então voltou para Kolkata e prestou queixa no consulado japonês, que alertou a polícia, disse Ghosh.
No domingo, enquanto repórteres seguiam para o vilarejo, familiares negavam vigorosamente as acusações de estupro. Chaudhary, o policial no distrito de Gaya, disse que a esposa de Javed, Rahnuma, disse que a japonesa dormiu com ela durante toda sua estadia, enquanto Javed dormiu em outro quarto. Chaudhary acrescentou que Rahnuma alegou ter dado à mulher 10 mil rupias (cerca de US$ 150) para despesas de viagem quando ela partiu.
Tradutor: George El Khouri Andolfato
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