terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Estupro de japonesa na Índia pode ter sido cometido por "gangue especializada"
Ellen Barry e Nida Najar - TNYTNS
Reuters
3.jan.2015 - Dois homens suspeitos do roubo e estupro de uma turista japonesa são presos em Kolkata, na Índia. Eles fariam parte de uma gangue especializada no golpe 3.jan.2015 - Dois homens suspeitos do roubo e estupro de uma turista japonesa são presos em Kolkata, na Índia. Eles fariam parte de uma gangue especializada no golpe
A história começou na Sudder Street, um local repleto de acomodações baratas para onde vão quase todos os mochileiros estrangeiros quando chegam a Kolkata. Uma deles, uma turista japonesa de 22 anos, ficou surpresa ao descobrir que seu novo conhecido indiano falava japonês fluentemente e estava disposto a ser seu guia local.
"Nós fizemos amizade, comíamos juntos e conversávamos sobre o futuro", ela escreveu em um inglês imperfeito cerca de um mês depois, quando voltou a Kolkata, antiga Calcutá, para prestar queixa à polícia. "Então ele me apresentou a um amigo. Eu também fiz amizade com ele."
Nas semanas que se seguiram, a mulher disse à polícia, os homens usaram os cartões dela para esvaziar suas contas bancárias, até que a pressionaram a viajar com eles e, finalmente, a fazer sexo com eles. No fim de semana, a polícia prendeu cinco homens por suspeita de vários crimes, incluindo roubo, cárcere privado, estupro, sequestro e conspiração criminosa. Apenas dois dos cinco são acusados de estupro.
Parentes dos homens acusados negam as acusações, dizendo que a mulher permaneceu com eles por vontade própria e até mesmo pegou dinheiro emprestado quando partiu no final de dezembro, disse B.K. Chaudhary, um policial no distrito de Gaya. Mas as acusações dela repetem as queixas de outros turistas e autoridades de turismo, que dizem que alguns guias turísticos em Kolkata abusam de turistas ingênuos, fazendo amizade com eles visando roubá-los.
"Eles são muito amistosos e falam com voz doce quando querem", disse Satish Singh, que trabalha em uma agência de turismo em Bodh Gaya, um destino de peregrinação de budistas que a mulher pretendia visitar e que conhece um dos acusados. "Eles armam uma armadilha. Eles não pegam dinheiro de cara. Mas então, depois, eles arranjam um programa para enganá-los. Eles tomam vinho ou outra bebida, e depois disso acontece."
Singh disse que muitos desses crimes não são denunciados, especialmente aqueles que incluem estupro. "Se a mulher é forte, ela pode ser franca com qualquer um", disse. "Se são fechadas, ninguém saberá. Elas simplesmente voltarão para seu país."
Muitos turistas japoneses vêm para a Índia para visitar Bodh Gaya, o local onde o Buda teria atingido a iluminação no século 6 a.C. Ao pararem em Kolkata no caminho, eles cruzam com guias que falam japonês, que oferecem pacotes turísticos aos destinos budistas, a cerca de 480 quilômetros de distância –guias como Shahid Iqbal, um dos acusados, cujo apelido é "Shahid Japonês".
Logo após a chegada dela em Kolkata, a mulher disse à polícia, os homens propuseram que viajassem juntos a uma praia próxima. Quando ela resistiu ("Eu estou sozinha, uma estrangeira, uma garota e apenas uma estudante", ela escreveu em seu relato), eles insistiram que já era tarde demais e que já tinham pago pelo hotel e pelo motorista. Quando ela concordou em ir, eles a convidaram para jogar cartas e então a pressionaram por mais dinheiro, para pagar pelo que ela perdeu no carteado.
Ela voltou com os homens para Kolkata, a vítima disse à polícia, mas então foi "levada à força para outro local no interior", onde ela descobriu que seus dois cartões de débito foram usados para sacar todo o dinheiro que ela tinha disponível, cerca de 50 mil rupias, ou US$ 790.
O "local no interior" era o vilarejo de Taro, lar de Sajid Khan e seu irmão mais jovem, Javed, um guia turístico que ela conheceu em Kolkata. Javed desenvolveu um negócio hospedando turistas estrangeiros em sua casa, a cerca de 15 quilômetros de Bodh Gaya, ganhando o suficiente para pagar por uma casa de três andares, um jipe, cinco motos e um trator, disse Vinod Paswan, um membro do conselho local de Taro, em uma entrevista por telefone.
"Esses turistas circulam pelo vilarejo, tiram fotos e às vezes tentam falar com os aldeões", disse Paswan. "Nós não conseguimos falar com eles, porque não sabemos japonês ou inglês."
Paswan disse que a japonesa passou mais tempo no vilarejo do que a maioria dos turistas --10 a 12 dias-- e que era difícil dizer se ela estava lá por vontade própria. Ele disse, entretanto, que Javed se gabou de ter feito sexo com a mulher.
A queixa prestada pela mulher não diz que ela foi estuprada, mas Pallab Kanti Ghosh, um alto oficial de polícia de Kolkata que é o encarregado pela investigação, disse que ela declarou posteriormente que foi mantida no local por 12 dias contra sua vontade e estuprada por dois homens.
Após deixar Taro, ela viajou para Varanasi e relatou o ocorrido a um grupo de turistas japoneses que encontrou lá. A vítima então voltou para Kolkata e prestou queixa no consulado japonês, que alertou a polícia, disse Ghosh.
No domingo, enquanto repórteres seguiam para o vilarejo, familiares negavam vigorosamente as acusações de estupro. Chaudhary, o policial no distrito de Gaya, disse que a esposa de Javed, Rahnuma, disse que a japonesa dormiu com ela durante toda sua estadia, enquanto Javed dormiu em outro quarto. Chaudhary acrescentou que Rahnuma alegou ter dado à mulher 10 mil rupias (cerca de US$ 150) para despesas de viagem quando ela partiu. 
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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