México intensifica a expulsão de centro-americanos
V. Calderón - El País
Rebecca Blackwell/AP
28.nov.2014
- Mães de imigrantes centro-americanos que desapareceram durante a
travessia do México para chegar aos Estados Unidos, carregam fotos dos
filhosO México quebrou dois recordes migratórios em 2014. Pela primeira vez em mais de 60 anos, os mexicanos não são a nacionalidade mais deportada dos EUA, segundo o instituto de estudos sociais Centro Pew de Pesquisas, que não detalha qual a superou. Também foi o ano em que o México deportou mais centro-americanos: o número de cidadãos de Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua expulsos via terrestre das passagens de fronteira no sul do país cresceu 35% nos primeiros 11 meses de 2014 em relação a todo o ano anterior, segundo as autoridades da Guatemala.
A queda do número de mexicanos deportados dos EUA é notável. Enquanto em 2007 quase 800 mil foram detidos pela Patrulha de Fronteiras, em 2014 houve só 229 mil. Para encontrar uma cifra menor é preciso remontar a 1970, quando foram repatriados 219 mil mexicanos.
Os cidadãos de países como Honduras ou Guatemala fogem da pobreza atravessando o México para chegar à "terra prometida" dos EUA, mas também escapam dos países com os maiores índices de violência do mundo. Honduras, por exemplo, tem uma taxa de homicídios de 90,4 por 100 mil habitantes, pouco mais que o segundo país do continente, a Venezuela, que soma 82 para cada 100 mil.
As duas principais economias da América Latina, Brasil e México, têm taxas de 25,2 e 21,5 por 100 mil, respectivamente. Para que a Organização Mundial da Saúde declare uma epidemia, os falecimentos por uma causa concreta devem superar 10 para cada 100 mil pessoas.
Na tentativa de conter a imigração de centro-americanos nos EUA, o governo mexicano anunciou o Plano Fronteira Sul. Revelado em julho passado pelo presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e seu homólogo da Guatemala, Otto Pérez Molina, o plano busca proteger a segurança dos viajantes, explicaram então. México e Guatemala dividem uma fronteira de cerca de mil quilômetros.
O Fronteira Sul inclui dois programas, a distribuição de cartões de visitante regional e trabalhador fronteiriço, existentes desde 2008, o fortalecimento da segurança nos cruzamentos e "evitar que os imigrantes ponham em risco sua integridade ao usar um trem que é de carga e não de passageiros".
O trem conhecido como A Fera cruza o território mexicano e expõe seus passageiros a enormes riscos, não só por sua insegurança técnica como pelas máfias que atuam ao longo de seu extenso percurso.
O massacre de 72 imigrantes centro-americanos em San Fernando, no estado de Tamaulipas (México), abriu os olhos para a terrível situação dos imigrantes que atravessam o México tentando chegar aos EUA. A descoberta de valas comuns na região levantou suspeitas de que a prática não variou muito. Em 2014, o exército mexicano informou sobre pelo menos quatro operações de resgate de imigrantes em poder dos cartéis do narcotráfico.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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