Presidente ouve de empresários chineses em Pequim que Caracas pode contar com recursos para estimular a produção doméstica
O Estado de S. Paulo
CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, conseguiu nesta terça-feira, 6, no primeiro dia de sua visita à China, a promessa de novos investimentos em seu país. Empresários chineses se comprometeram a investir em zonas de desenvolvimento estratégicas criadas pelo chavismo para estimular a economia venezuelana, mas o valor do aporte ainda não foi definido. Maduro espera também renovar uma linha de crédito de US$ 4 bilhões com Pequim.
Segundo o ministro da Economia, Rodolfo Marcos Torres, uma comissão de empresários chineses irá à Venezuela nos dias 18 e 19 para definir os projetos que serão apoiados e o montante a ser investido. “Os chineses estão totalmente dispostos a investir”, disse.
As zonas de desenvolvimento estratégico foram anunciadas em dezembro e têm como objetivo alavancar a exportação de produtos venezuelanos, uma vez que o país importa praticamente tudo o que consome. Essas zonas estão sendo montadas nos Estados de Táchira e de Falcon.
A queda no preço do petróleo tem afetado gravemente as contas do governo, que conta com cada vez menos dólares em caixa e tem de lidar com problemas como escassez, inflação e déficit fiscal. Um dos objetivos da visita de Maduro é conseguir recursos para amenizar os problemas econômicos.
“Todas as empresas com as quais conversamos manifestaram a vontade de ir à Venezuela participar dos seminários sobre as zonas especiais”, disse Torres. De acordo com o ministro do Planejamento, Ricardo Menéndez, os investimentos virão junto com transferência de tecnologia. “Os recursos servirão para fortalecer o projeto”, afirmou.
Questionado sobre a renovação da linha de crédito de US$ 4 bilhões, o porta-voz da chancelaria chinesa, Hong Lei, disse que a cooperação financeira entre os dois países é “madura e eficaz”. Ele assegurou entender os problemas enfrentados pelos países produtores de petróleo com a queda no preço do barril. “China e Venezuela são importantes sócios comerciais e a cooperação alcançou resultados frutíferos nos últimos anos”, disse.
Em seu primeiro dia em Pequim, Maduro se encontrou com representantes do setor petrolífero e bancário da China. Hoje, ele deve se reunir com o presidente Xi Jiping, antes de participar da reunião da Cúpula China-Comunidade dos Estados da América Latina e Caribe (Celac).
Analistas consideram o sucesso da viagem crucial para o futuro do herdeiro político de Hugo Chávez. A Venezuela está em recessão depois da contração do PIB por três trimestres seguidos, a inflação é a maior do continente e os recursos vindos do petróleo caíram praticamente pela metade. A popularidade do presidente está em 22%.
Desde 2008, a China já financiou mais de US$ 50 bilhões à Venezuela, em troca de petróleo. Hoje, a exportação diária do país sul-americano para Pequim gira entorno dos 500 mil barris. Até 2016, o governo chavista espera dobrar esse fornecimento. Segundo o BCV, metade da dívida já foi quitada.
“Mais do que nunca, os chineses exigirão garantias de que o esses créditos serão pagos”, disse à agência France Presse o economista Francisco Faraco.
Com as dificuldades encontradas pelo governo, alguns economistas apostam que, mais cedo ou mais tarde, Maduro terá de tomar medidas impopulares para lidar com a crise.
No ano passado, o presidente anunciou que faria mudanças no câmbio e aumentaria o preço dos combustíveis, mas até agora nenhuma decisão foi anunciada. Ambas as medidas teriam um impacto direto na inflação, hoje em torno de 63,6% ao ano.
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