Reinaldo Azevedo -VEJA
Na Folha:
A Petrobras divulgou, neste domingo (25),
nota em que justifica a escolha do banco BTG Pactual como sócio na
África pela necessidade de reduzir o risco do negócio e de obter fundos
para desenvolver uma nova reserva nigeriana. O texto diz, ainda, que a
associação era “a melhor alternativa para a Petrobras, assegurando sua
permanência estratégica” no continente. A nota responde à coluna do
jornalista Elio Gaspari, publicada pela Folha no
domingo (25), na qual as condições de venda de 50% dos ativos de
exploração e produção em sete países africanos ao banco brasileiro, em
2013, são criticadas.
De acordo
com Gaspari, a negociação foi fechada pelo valor estipulado em uma
avaliação do próprio banco, de US$ 3,04 bilhões para todos os ativos, e
assim, o banco pagou US$ 1,52 bilhão por 50% do negócio, por meio da
criação de uma “joint venture”, a empresa PO&G, criada para reunir
os direitos antes exclusivos da estatal brasileira no continente.
Segundo o artigo, outra avaliação estimava valores entre US$ 3,4
bilhões, caso uma lei negativa para investidores entrasse em vigor na
Nigéria, onde estão as duas reservas mais produtivas, e US$ 4 bilhões,
sem a lei. Um terceiro avaliador estipulou como US$ 3,6 bilhões o valor
de somente o de um campo, Akpo, um dos dois nigerianos de alta produção.
A lei
ainda não entrou em vigor, de acordo com a Petrobras. A empresa alega,
também, que o contexto em que os investimentos foram feitos, no final da
década de 90, eram totalmente diferentes do atual, em que a prioridade é
o pré-sal, “situação oposta a que levara a companhia à
internacionalização”. A Petrobras disse, ainda, que a produção dos
campos nigerianos Akpo e Abgami não corresponde a 60% do que importa e
25% do que refina, mas, sim, 14% e 2,5%, respectivamente.
Segundo a
estatal, o principal motivo de associação com o BTG foi explorar o campo
de Egina, também na Nigéria, que ainda não produz e exigia
“investimentos da ordem de US$ 3 bilhões”. Sem sócio, defende a estatal,
a alternativa para viabilizar Egina era sair da outra reserva em
produção no país, Agbami. Não foi informado em que estágio do
desenvolvimento o campo se encontra nem quais investimentos foram
realizados até o momento. De acordo com a empresa, os ativos na África
envolve “também ativos exploratórios de alto risco”, em Benin, Gabão,
Namíbia, Angola e Tanzânia. Diz, também, que desde a formação da
sociedade, foram gastos US$ 250 milhões em perfuração de poços em que
não se encontrou petróleo. A Petrobras justifica a venda pelo pior preço
porque a lei potencialmente prejudicial a seus negócios, usada para
jogar as avaliações para a baixo, ainda está em tramitação na Nigéria.
O artigo
de Gaspari afirma, ainda, que, no primeiro ano, o BTG já fez jus a parte
dos dividendos gerados pelo negócio. De US$ 1 bilhão distribuídos,
banco e estatal embolsaram US$ 150 milhões, cada. O resto foi usado para
reforçar o caixa da sociedade e em aplicações financeiras. A Petrobras
alega, neste caso, que a associação já era lucrativa, tendo confirmado o
valor pago ao BTG. Outro ponto levantado pelo artigo foi relacionado ao
processo de escolha do BTG. Uma das questões era o fato de o banco ter
sido a única instituição financeira na lista de selecionados pela
Petrobras como interessados no negócio. A Petrobras informou que outros
bancos estavam no páreo, mas não informou quais. Disse apenas que um
fundo de investimento controlado por uma empresa de óleo e gás chegou a
enviar proposta, mas também não a detalhou.
Na coluna,
Gaspari diz que a Petrobras não ofereceu à petroleira americana “o
direito de preferência a que teria direito”. A estatal afirma que chegou
a consultar a americana Chevron, sócia da Petrobras em Agbami, sobre o
interesse de “aumentar a posição nos ativos na África”, e que a Chevron
teria se recusado a ampliar os investimentos. Negou, ainda, que o
direito de preferência valesse para todos os ativos africanos, alegando
que só se restringia a Agbami.
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