Política para o petróleo terá de ser revista
Com ações e títulos desvalorizados, a
Petrobras não conseguirá captar recursos facilmente nos mercados a fim
de cumprir compromissos impostos pelo governo
O Globo
O Plano de Negócios da Petrobras até 2018 prevê investimentos anuais da
ordem de US$ 44 bilhões. Em situação normal de temperatura e pressão,
empresas desse porte concretizam seus investimentos com uma combinação
de recursos próprios (gerados pelas próprias atividades) e de terceiros.
Assim, multiplicam a capacidade de investir e de obter lucros futuros.
Além de ter sido obrigada pelo governo a assumir compromissos que
excediam o seu fôlego financeiro, a Petrobras teve sérios problemas de
gestão, agravados por golpes criminosos, agora revelados pela Operação
Lava-Jato. Esse desgaste de imagem, que se evidencia pela queda
vertiginosa dos preços de suas ações e desvalorização dos bônus
emitidos, certamente complica a equação financeira que havia sido
formulada para execução dos investimentos previstos no Plano de
|Negócios. Para 2015, por exemplo, estava previsto que fosse captar o
correspondente a US$ 12 bilhões no mercado internacional.
A Petrobras já se desfez de alguns ativos, como ocorreu recentemente
no Peru, conseguindo obter cerca de U$ 2,6 bilhões. Possivelmente terá
que se desmobilizar ainda mais para se livrar de dívidas onerosas e se
concentrar nos investimentos que identifique como prioritários.
Mesmo assim, não é uma situação que se resolva rapidamente. A
política brasileira para o petróleo, extremamente concentrada na
Petrobras, terá de passar por uma revisão. Há sinais que isso começará a
ocorrer em 2015. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai propor ao
Conselho Nacional de Política Energética uma rodada de licitações no ano
que vem com uma oferta que englobe de 200 a 300 novas áreas destinadas à
exploração. Após tantos anos sem rodadas ou com ofertas minguadas a
potenciais investidores, 2015 pode marcar uma reviravolta na política do
petróleo.
O próprio pré-sal também precisa de uma revisão nas regras de
exploração de futuros blocos. O governo Lula instituiu o modelo de
partilha de produção no pré-sal, tornando a Petrobras operadora única
desses blocos, e com uma participação de no mínimo 30% no consórcio
investidor. Na prática, ressuscitou o monopólio para essas áreas. Ambas
as condições são inexequíveis para a realidade financeira e gerencial da
Petrobras.
Em face das suas restrições de capital, a estatal não poderá assumir
compromissos tão expressivos, o que poderia até levar o governo a não
promover licitações no pré-sal, desperdiçando oportunidades para atrair
investidores e reforçar o caixa do Tesouro. Ainda que mantenha o modelo
de partilha para o pré-sal, o governo terá então de rever a obrigação de
a Petrobras ser a operadora única dos futuros blocos e ter um limite
mínimo de participação nos consórcios. E some-se a tudo isso a queda do
preço do petróleo no mundo, um desestímulo a investimentos na
exploração.
A conjuntura potencializa o estrago em curso provocado pelo esquema de corrupção montado pelo lulopetismo na estatal.
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