Hans Binnendijk, Christopher S. Chivvis e Olga Oliker - TINYT
O declínio dramático do rublo ameaça mergulhar a Rússia em uma crise
econômica completa. O presidente Vladimir Putin tentou minimizar as
dificuldades e desviar a culpa para o Ocidente, mas o problema é grave e
ninguém deve ser culpado além do próprio Putin. Seus esforços para
desestabilizar a Ucrânia trouxeram sanções dolorosas sobre a Rússia,
reforçaram sua dependência do petróleo e isolaram sua economia.
Mas a crise na Rússia guarda tanto risco quanto a oportunidade. O risco é de que um colapso econômico possa levar o Kremlin a atacar mais severamente a Ucrânia e o Ocidente. Mas há uma oportunidade a ser aproveitada se a fragilidade do rublo aumentar a prontidão da Rússia para reduzir a escalada da guerra na Ucrânia em troca de alívio das sanções e revitalização dos laços econômicos com o Ocidente.
As raízes da crise do rublo são duas, provocadas pelo declínio dos preços globais do petróleo, que cortaram drasticamente o rendimento do Estado russo e tornaram o orçamento nacional insustentável, e pelo impacto das sanções que os Estados Unidos e a União Europeia impuseram em resposta aos esforços do Kremlin de minar a independência ucraniana. Embora as sanções tenham tido um impacto econômico, mais importante que isso, elas dificultaram que os bancos e empresas russas refinanciassem dívidas antigas, e levaram os cidadãos privados a enviar seus fundos para o exterior. Tudo isso faz com que um clima arriscado para os negócios fique ainda pior.
A economia em colapso acrescenta um grave risco para um impasse já tenso com a Rússia. Putin está ciente de que sua popularidade se sustenta na estabilidade econômica, social e política. Uma recessão grave poderia erodir seu apoio no país. Para se salvar, ele pode novamente recorrer às duas alavancas do nacionalismo e do risco negligente no exterior para ancorar sua popularidade em casa. Embora sua estratégia não seja sustentável a longo prazo, a curto prazo ela garante que a animosidade entre a Rússia e o Ocidente espirale perigosamente. As consequências mais graves certamente seriam sentidas pela Ucrânia, mas os Estados do Báltico também podem se tornar alvos.
Mas a crise na Rússia guarda tanto risco quanto a oportunidade. O risco é de que um colapso econômico possa levar o Kremlin a atacar mais severamente a Ucrânia e o Ocidente. Mas há uma oportunidade a ser aproveitada se a fragilidade do rublo aumentar a prontidão da Rússia para reduzir a escalada da guerra na Ucrânia em troca de alívio das sanções e revitalização dos laços econômicos com o Ocidente.
As raízes da crise do rublo são duas, provocadas pelo declínio dos preços globais do petróleo, que cortaram drasticamente o rendimento do Estado russo e tornaram o orçamento nacional insustentável, e pelo impacto das sanções que os Estados Unidos e a União Europeia impuseram em resposta aos esforços do Kremlin de minar a independência ucraniana. Embora as sanções tenham tido um impacto econômico, mais importante que isso, elas dificultaram que os bancos e empresas russas refinanciassem dívidas antigas, e levaram os cidadãos privados a enviar seus fundos para o exterior. Tudo isso faz com que um clima arriscado para os negócios fique ainda pior.
A economia em colapso acrescenta um grave risco para um impasse já tenso com a Rússia. Putin está ciente de que sua popularidade se sustenta na estabilidade econômica, social e política. Uma recessão grave poderia erodir seu apoio no país. Para se salvar, ele pode novamente recorrer às duas alavancas do nacionalismo e do risco negligente no exterior para ancorar sua popularidade em casa. Embora sua estratégia não seja sustentável a longo prazo, a curto prazo ela garante que a animosidade entre a Rússia e o Ocidente espirale perigosamente. As consequências mais graves certamente seriam sentidas pela Ucrânia, mas os Estados do Báltico também podem se tornar alvos.
Reduzir esses riscos e aproveitar a oportunidade que a crise apresenta
exige uma política ampla que ofereça um alívio gradual das sanções, mas
também inclua um equilíbrio de forças mais prolongado e um compromisso
renovado com a independência da Ucrânia. O colapso das negociações de
paz em Minsk só torna mais urgente a necessidade de um pacote
verdadeiramente amplo. Ele incluiria os seguintes elementos básicos:
- A Rússia cumpriria totalmente o acordo de setembro em Minsk no leste da Ucrânia: depois da invasão da Rússia em agosto, um acordo foi feito prometendo mais autonomia para a região disputada de Donbass em troca de um cessar-fogo e da restauração do controle ucraniano sobre suas fronteiras. O cessar-fogo tem sido continuamente violado, e o Kremlin é o principal culpado. Para conseguir um alívio das sanções, a Rússia primeiro teria de retirar todas as forças russas remanescentes do território ucraniano e apoiar totalmente o monitoramento da fronteira pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. A Europa e os Estados Unidos precisariam atuar em um acordo mútuo de que, se a Rússia descumprisse sua promessa, as sanções seriam reimpostas imediatamente. Por sua vez, Kiev teria de redobrar seus esforços para controlar as milícias pró-ucranianas que atuam no leste e se preparar para instalar eleições e os esforços de ajuda estipulados pelo acordo.
- A Otan continuaria a fortalecer suas posições no leste europeu para proteger seus membros do risco crescente. Tem havido reticência em algumas capitais quanto a implementar o Plano de Prontidão para a Ação da Otan. Isso deve mudar. Reforçar o flanco leste da aliança é uma garantia essencial contra outro colapso em sua relação com a Rússia. Washington deveria se comprometer com uma presença persistente de forças terrestres nos Estados do Báltico e na Polônia. Mas para que a resistência funcione, os próximos envios de tropas devem ser multinacionais. Pequenos números de soldados europeus precisam ser enviados aos Estados bálticos e à Polônia para fazer exercícios regulares para reforçar a resistência.
- Como parte de um acordo mais amplo, a Ucrânia teria de reconhecer publicamente que não está atualmente preparada para entrar para a Otan. A Rússia tem objeções de longa data à possibilidade de que a Ucrânia se junte à Otan. Embora seja crucial que Kiev tome suas próprias decisões sobre a adesão, e a Otan deva manter sua política de longa data de manter as portas abertas, o fato é que a Ucrânia hoje ainda está longe de preencher os critérios necessários para a adesão. O reconhecimento por parte de Kiev de que não conseguirá a adesão no curto prazo seria simplesmente uma admissão dessa realidade. Entretanto, a Ucrânia ainda poderia ter uma parceria mais estreita com a Otan.
- A Rússia teria de aceitar uma relação mais próxima da Ucrânia com a União Europeia - bem como aprofundar a sua própria relação com a UE. Foi o interesse da Ucrânia de se aproximar da união que foi a faísca da crise inicial. As preocupações da Rússia em ser cortada do acesso aos mercados ucranianos, contudo, devem ser levadas em conta. (O acesso das exportações ucranianas ao mercado russo também é importante para os ucranianos.)
- O Ocidente deveria se comprometer mais firmemente em apoiar as reformas internas da Ucrânia. Embora ele tenha se comprometido com financiamento e aconselhamento para ajudar a fortalecer as instituições políticas, econômicas e militares, um compromisso maior, de longo prazo, é necessário. A Ucrânia precisa fazer sua parte combatendo a corrupção, aumentado os preços da energia, reformando seu setor energético, e empreendendo outras reformas estruturais.
Embora as negociações de Minsk tenham fracassado, a Rússia concordou em continuar fornecendo carvão e eletricidade à Ucrânia, num sinal de que Moscou ainda está buscando um acordo. Achamos que este pacote ofereceria à Rússia um futuro econômico melhor, além do reconhecimento da importância duradoura da Rússia para o Ocidente. Ele também estabilizaria a Ucrânia. Mas ainda pode ser algo de difícil convencimento. Ajudaria reavivar o Grupo dos 8, o Conselho Otan-Rússia e outros canais como parte de um acordo mais abrangente. Também ajudaria encontros de alta cúpula entre a UE e a União Eurasiana.
Putin ainda pode escolher escalar o confronto apesar da tempestade econômica que tem à frente. Mas os diplomatas norte-americanos e europeus devem usar a crise para oferecer-lhe um caminho alternativo.
Tradutor: Eloise De Vylder
- A Rússia cumpriria totalmente o acordo de setembro em Minsk no leste da Ucrânia: depois da invasão da Rússia em agosto, um acordo foi feito prometendo mais autonomia para a região disputada de Donbass em troca de um cessar-fogo e da restauração do controle ucraniano sobre suas fronteiras. O cessar-fogo tem sido continuamente violado, e o Kremlin é o principal culpado. Para conseguir um alívio das sanções, a Rússia primeiro teria de retirar todas as forças russas remanescentes do território ucraniano e apoiar totalmente o monitoramento da fronteira pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. A Europa e os Estados Unidos precisariam atuar em um acordo mútuo de que, se a Rússia descumprisse sua promessa, as sanções seriam reimpostas imediatamente. Por sua vez, Kiev teria de redobrar seus esforços para controlar as milícias pró-ucranianas que atuam no leste e se preparar para instalar eleições e os esforços de ajuda estipulados pelo acordo.
- A Otan continuaria a fortalecer suas posições no leste europeu para proteger seus membros do risco crescente. Tem havido reticência em algumas capitais quanto a implementar o Plano de Prontidão para a Ação da Otan. Isso deve mudar. Reforçar o flanco leste da aliança é uma garantia essencial contra outro colapso em sua relação com a Rússia. Washington deveria se comprometer com uma presença persistente de forças terrestres nos Estados do Báltico e na Polônia. Mas para que a resistência funcione, os próximos envios de tropas devem ser multinacionais. Pequenos números de soldados europeus precisam ser enviados aos Estados bálticos e à Polônia para fazer exercícios regulares para reforçar a resistência.
- Como parte de um acordo mais amplo, a Ucrânia teria de reconhecer publicamente que não está atualmente preparada para entrar para a Otan. A Rússia tem objeções de longa data à possibilidade de que a Ucrânia se junte à Otan. Embora seja crucial que Kiev tome suas próprias decisões sobre a adesão, e a Otan deva manter sua política de longa data de manter as portas abertas, o fato é que a Ucrânia hoje ainda está longe de preencher os critérios necessários para a adesão. O reconhecimento por parte de Kiev de que não conseguirá a adesão no curto prazo seria simplesmente uma admissão dessa realidade. Entretanto, a Ucrânia ainda poderia ter uma parceria mais estreita com a Otan.
- A Rússia teria de aceitar uma relação mais próxima da Ucrânia com a União Europeia - bem como aprofundar a sua própria relação com a UE. Foi o interesse da Ucrânia de se aproximar da união que foi a faísca da crise inicial. As preocupações da Rússia em ser cortada do acesso aos mercados ucranianos, contudo, devem ser levadas em conta. (O acesso das exportações ucranianas ao mercado russo também é importante para os ucranianos.)
- O Ocidente deveria se comprometer mais firmemente em apoiar as reformas internas da Ucrânia. Embora ele tenha se comprometido com financiamento e aconselhamento para ajudar a fortalecer as instituições políticas, econômicas e militares, um compromisso maior, de longo prazo, é necessário. A Ucrânia precisa fazer sua parte combatendo a corrupção, aumentado os preços da energia, reformando seu setor energético, e empreendendo outras reformas estruturais.
Embora as negociações de Minsk tenham fracassado, a Rússia concordou em continuar fornecendo carvão e eletricidade à Ucrânia, num sinal de que Moscou ainda está buscando um acordo. Achamos que este pacote ofereceria à Rússia um futuro econômico melhor, além do reconhecimento da importância duradoura da Rússia para o Ocidente. Ele também estabilizaria a Ucrânia. Mas ainda pode ser algo de difícil convencimento. Ajudaria reavivar o Grupo dos 8, o Conselho Otan-Rússia e outros canais como parte de um acordo mais abrangente. Também ajudaria encontros de alta cúpula entre a UE e a União Eurasiana.
Putin ainda pode escolher escalar o confronto apesar da tempestade econômica que tem à frente. Mas os diplomatas norte-americanos e europeus devem usar a crise para oferecer-lhe um caminho alternativo.
Tradutor: Eloise De Vylder
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