Hollande pede fim de sanções à Rússia
Presidente francês afirma que Vladimir Putin não tem planos de anexar Leste da Ucrânia
O Globo
As nações ocidentais devem parar de ameaçar a Rússia com
novas sanções, e em vez disso oferecer alternativas para relaxar as
restrições ao país em troca de progressos no processo de paz na Ucrânia,
afirmou nesta segunda-feira o presidente francês, François Hollande.
Segundo Hollande, as tentativas de deixar o presidente
russo, Vladimir Putin, acuado não funcionarão. A declaração do
presidente francês se soma às de outros políticos europeus no que parece
ser um momento de exaustão das tentativas de pressionar o Kremlin,
enquanto o conflito na Ucrânia se aproxima do início de seu segundo ano.
— Não apoio uma política que busca alcançar objetivos
piorando as coisas. Acho que devemos parar com as sanções agora —
afirmou Hollande em entrevista a uma rádio francesa. — Tenho certeza de
que Putin não quer anexar o Leste da Ucrânia. Ele mesmo me disse. O que
ele quer é permanecer como uma figura influente, e evitar que a Ucrânia
se junte à Otan. Ele não quer manter um exército na fronteira russa.
Na Alemanha, principal voz entre os países europeus na
questão das sanções, o porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen
Seibert, afirmou que o país tem “uma ideia muito clara do que significa
progresso verdadeiro”, que será examinada antes que o país considere a
possibilidade de suspender as sanções. No entanto, o vice-chanceler,
Sigmar Gabriel, também demonstrou preocupações com os efeitos das
sanções sobre a estabilidade da Rússia.
— O objetivo nunca foi levar a Rússia ao caos político e econômico — afirmou Gabriel ao diário alemão “Bild”.
Diálogos de paz entre os líderes de Rússia, Ucrânia, França e
Alemanha estão agendados para o dia 15 de janeiro, mas Merkel não
participará do encontro, a menos que um novo acordo pareça provável,
informou Seibert.
Apesar da confiança de Hollande em Putin, um líder cossaco
no Leste da Ucrânia publicou nos últimos dias um vídeo, no qual declara
aliança a Putin. No vídeo, Nikolai Kozitsyn, que lidera um grupo de
cossacos na cidade de Antracit, diz que o seu território — nos arredores
de Luhansk — é agora parte do “Império Russo”.
— Não declararemos nossa república, isso é uma utopia — diz
Kozitsyn no vídeo. — Dizemos que somos parte do Império Russo, e hoje
consideramos Putin nosso imperador.
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