Todos têm uma solução para a violência no Rio, mas...
Alvaro Costa e Silva - FSP
RIO DE JANEIRO - Havia —e em certas cabeças ainda há— o truísmo
segundo o qual aquele que resolvesse o problema da violência no Rio
podia se considerar o futuro presidente.
O esquema criminoso armado pelo ex-governador Sérgio Cabral previa esse
tipo de trampolim político. (Imagine só do que escapamos.) Entre outras
coisas, deu errado porque Cabral, que só pensava em meter dinheiro no
próprio bolso, não prosseguiu com as UPPs (Unidades de Polícia
Pacificadora). Uma segunda fase do projeto —mais voltada para o lado
social— garantiria à população das áreas de risco acesso à educação,
saúde, saneamento, mobilidade, serviços básicos.
Pois o governo federal, de uma hora para outra, resolveu arrumar uma solução para o caos carioca. Mal escapou da denúncia por obstrução da Justiça e organização criminosa,
Michel Temer promete combater o crime organizado e o narcotráfico e
aumentar a vigilância nas fronteiras. Cabe perguntar por que não se
mexeu antes. Talvez porque só agora o marqueteiro Elsinho Mouco tenha
lhe garantido um milagre ainda maior: elevar a popularidade do
presidente de 3% para 50% em seis meses. Só mesmo acabando com a
violência no Rio. Ou tirando o Rio do mapa.
É difícil pôr panos quentes, como quer o governo, nas declarações de Torquato Jardim sobre os comandantes da PM "sócios do crime". Como dizem no país da máfia, "se non è vero... è ben trovato".
Políticos fluminenses reagiram no estilo garganta, acusando o ministro
da Justiça de ofender "a honra" do Estado e blá-blá-blá. Logo em
seguida, o comando da Polícia Militar exonerou seis oficiais da
Corregedoria. A equipe estava batendo recordes: de junho a setembro,
foram presos 62 PMs —um aumento de 588% no número de prisões em
comparação ao trimestre anterior. O governador Pezão nem pigarreou para
dar alguma explicação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário