Casino retoma disputa por ativos brasileiros e aumenta participação no Grupo Pão de Açúcar
Samantha Pearson e Jennifer Thompson - FINANCIAL TIMES
Jean Charles Naouri, presidente do grupo de supermercados francês Casino, concede entrevista em julho no hotel Copacabana Palace, no Rio, sobre a operação de fusão do grupo Pão de Açúcar, de quem é sócio na França, com a rede concorrente Carrefour
O magnata do varejo francês, Jean-Charles Naouri, retomou sua disputa por seus ativos brasileiros, aumentando a participação no Grupo Pão de Açúcar, em uma ação que pode repelir qualquer nova tentativa de atrapalhar seu plano de aquisição.
A Rallye, a empresa familiar de Naouri e a controladora da empresa de varejo francesa Casino, disse na quinta-feira que aumentou sua presença na rede brasileira de supermercados Pão de Açúcar, dando à Rallye e Casino uma participação combinada de 48,1%.
Em julho, a Casino conseguiu impedir a tentativa do presidente do conselho de administração do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, de unir o grupo brasileiro à unidade local do Carrefour, o arquirrival do Casino na França.
Segundo os termos de um acordo anterior, o Casino tem o direito de assumir o controle do Pão de Açúcar em 2012, mas isso não impediu Diniz, o obstinado bilionário brasileiro de 74 anos, de procurar acordos alternativos para a empresa de sua família.
A Rallye, que antes tinha uma participação acionária conjunta com o Casino de 45,9% no grupo brasileiro, disse que comprou ações preferenciais, ADRs e opções de compra.
“Eles estão aumentando sua participação acionária há algum tempo. Apesar disso não afetar o bloco de controle acionário, ajuda a mostrar aos outros o interesse deles na empresa e a importância do Brasil para eles”, disse Ronaldo Kasinsky, um analista da corretora Fator, em São Paulo.
No Brasil, a especulação tem crescido, desde a tentativa fracassada de fusão em julho, sobre se Diniz está planejando propor um novo acordo entre o Pão de Açúcar e a unidade brasileira do Carrefour.
Para o Casino, o Pão de Açúcar é um ponto de entrada vital no mercado brasileiro que está se desenvolvendo rapidamente, em um momento de crescimento deplorável nas vendas na Europa. Mas Diniz permanece determinado a manter a empresa fundada por seu pai, ganhando algum apoio do governo brasileiro, que está preocupado com o domínio estrangeiro no setor de varejo.
Mas a mais recente ação do Rallye “não foi uma aquisição defensiva”, disse uma pessoa com conhecimento da situação. “Foi uma oportunidade para investirem em uma empresa e em um país que conhecem bem.”
O Casino “não tinha alvo específico”, acrescentou a pessoa, de acordo com a regulamentação local e o acordo que estipula a manutenção de uma flutuação livre mínima de 30%.
Outros analistas disseram que a Rallye pode estar tentando se posicionar à frente do prazo de 2012, tirando proveito do mercado fraco para comprar ações a um preço mais baixo.
“O acordo (com o parceiro brasileiro) prevê que o Casino assumirá o controle em 2012, de modo que a Rallye também está adequando seus interesses acionários”, disse Justin Scarborough, analista do Banco Real da Escócia.
Tradução: George El Khouri Andolfato
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