terça-feira, 25 de outubro de 2011

RICARDO SETTI

Declarações de líder do CNT sobre a sharia preocupam

As declarações do chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT) Mustafa Abdul Jalil sobre a adoção da sharia (lei islâmica) como base da legislação na Líbia causam preocupações, principalmente para as mulheres que temem por seus direitos. No domingo, Jalil afirmou que a sharia será a principal fonte da legislação na nova Líbia, em discurso feito durante a cerimônia de proclamação da “libertação” do país.
“Como país islâmico, nós adotaremos a sharia como lei essencial. Toda lei que violar a sharia será legalmente nula e sem efeito”, disse, citando como exemplo a lei de divórcio e casamento. No regime de Muamar Kadafi, a lei não proibia a poligamia, mas determinava pré-condições, como o consentimento da primeira mulher. O marido também precisava provar perante a Justiça que tinha capacidade financeira para sustentar uma família múltipla.


Mulheres


“É chocante e insultante constatar que depois do sacrifício de milhares de líbios pela liberdade, a prioridade dos novos líderes é permitir que os homens casem em segredo”, lamentou Rim, uma feminista de 40 anos, “solteira e orgulhosa disto”. “Nós não vencemos Golias para viver na Inquisição”, acrescentou.
Azza Maghur, advogada e militante de direitos humanos, acredita que “esse não é o momento para fazer tais declarações”, e afirmou que prefere saber “sobre outros assuntos mais importantes, como o período de transição”. Para ela, Jalil “expressou seu ponto de vista como pessoa e não como estado”. “Ele não tem o poder de anular as leis”, afirmou.


Decepção


Abdelrahman al-Chater, um dos fundadores do Partido da Solidariedade Nacional (centro-direita) criticou as declarações de Jalil. “Esse é um assunto que precisa ser discutido pelas diferentes correntes políticas e pelo povo líbio”, disse. “Essas declarações provocam uma sensação de dor e amargura nas mulheres líbias, que sacrificaram suas vidas para combater o antigo regime”, acrescentou.
“A anulação da lei do casamento, fará com que as mulheres percam o direito de ficar com a casa e os filhos em caso de divórcio. É uma catástrofe para as mulheres”, denunciou al-Chater.


Apelo europeu

A França e a União Europeia fizeram um apelo nesta segunda-feira pelo respeito aos direitos humanos na Líbia, após as declarações de Jalil. Pouco antes, o chefe do CNT tentou acalmar a comunidade internacional. “Eu quero que a comunidade internacional fique assegurada do fato de que na condição de líbios somos muçulmanos, mas muçulmanos moderados”, declarou durante uma coletiva de imprensa.
“Eu citei como exemplo a lei do casamento e do divórcio, eu apenas quis dar um exemplo de leis que vão contra a sharia, pois a lei atual autoriza a poligamia apenas com certas condições. A sharia, que se baseia em um verso do Alcorão, autoriza a poligamia sem pré-condições”, disse.

(Com agência France-Presse)

Do Blog:
Inglaterra, França e EUA não estavam preocupados com a situação do povo líbio durante a ditadura de Kadafi.  Eles estavam (estão) interessados no petróleo daquele país.  O tiro ainda vai sair pela culatra, o Conselho Nacional de Transição vai estabelecer um regime bem diferente daquele pretendido pelos ocidentais.  A tendência é que a tal da "Primavera Árabe", tão festejada na TV pelos defensores dos direitos humanos, fortaleça a influência do Irã.  Os ocidentais cristãos chocaram o ovo da serpente.  Não duvido se, daqui a alguns nos, a OTAN não esteja combatendo quem ela apoiou com armas, munição e dinheiro.  Já vimos o caso dos EUA no Afeganistão.

Nenhum comentário: