sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

POLÍTICOS INÚTEIS SÃO IGUAIS EM QUALQUER LUGAR DO PLANETA

Hungria inventa imposto para preferência nacional canina
Joëlle Stolz - Le Monde
Conhecemos a expressão “tirar leite de pedra”. Será preciso inventar outra, “tirar leite de pelo”, para dar conta de uma das leis mais insólitas já aprovadas pelo Parlamento de Budapeste, que permite às prefeituras que taxem proprietários de cães, mas somente se seus totós pertencerem a uma raça não húngara.
O governo do conservador Viktor Orban já havia empregado uma inegável criatividade legislativa para encher os cofres do Estado, com impostos excepcionais sobre os bancos, os grandes varejistas, e até a junk food – essa variante foi batizada de “imposto do hambúrguer” -, uma vez que afeta sobretudo alimentos produzidos por multinacionais.
Desta vez, os parlamentares de Budapeste encontraram uma forma inédita de preferência nacional. Ao modificarem a lei de 1998 sobre a proteção dos animais, eles tornaram obrigatório um recenseamento trienal dos cachorros nos municípios, autorizando-os a cobrar um imposto sobre os cães. Custará 6 mil forintes por ano (menos de 20 euros) por um animal sem histórico e até 20 mil forintes (65 euros) por um cão “perigoso”. Será que o governo estaria visando implicitamente os pitbulls e os cães de maxilares fortes, tão apreciados por militantes de extrema direita?
Estão dispensados os cães criados para ajudar cegos ou forças de segurança, mas também as “raças húngaras” que acompanhavam, no fim do primeiro milênio, os nômades conquistadores vindos das estepes da Ásia: vizsla, puli, pumi, kuvasz, ou ainda o espetacular komondor, de pelagem mais cheia que o cabelo de um cantor rastafári. Pouco importa que este último figure, no cantão suíço de Tessin, na lista dos cães potencialmente agressivos, ou que, como observa o site francófono Hulala, o orgulhoso kuvasz, que protegia os rebanhos contra os lobos, seja responsável pela maior parte das ocorrências de mordidas na Hungria. “Perigoso, talvez, mas húngaro acima de tudo!”, ironiza o Hulala.
Já o vizsla, um galgo dourado, é resultado de cruzamentos ao longo de dois séculos, entre outros com um cachorro pastor turco. Uma confusão de origens, lamentável aos olhos dos ideólogos da “hungariedade”, que só se acentuou no mercado único europeu, num momento em que os foies gras de Périgord muitas vezes vêm de gansos criados na puszta [estepe] húngara, assim como os escargots consumidos nas mesas francesas.
Abandonos em massa
Antes de render um único forinte, o imposto canino já causou muita polêmica. Alguns veterinários – uma profissão que será muito solicitada, pois será necessário avaliar se os cachorros apresentam um risco “devido a seu estado físico ou psíquico” – se preocupam com as consequências: poderá haver abandonos em massa de animais que vão vagar pelas ruas, como na Romênia e na Ucrânia. Resta saber como vai reagir a militante dos direitos de nossos amigos animais, Brigitte Bardot.
Tradução: Lana Lim

Do Blog:
O problema é que eles existem em abundância no Brasil.

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