Reinaldo Azevedo - VEJA
Eis aí. A feitiçaria está à solta nas ruas e na Praça dos Três Poderes. Tudo vale em nome do povo. Renan Calheiros se converteu num radical, num jacobino. Topa votar o que lhe apresentarem. Luís Roberto Barroso, novo ministro do Supremo — aquele que fará uma festa para duas mil pessoas para comemorar a sua nomeação —, tem a coragem de dizer em junho de 2013 o contrário do que disse em outubro de 2011. E não fica corado. Com a mesma retórica mansa, defende uma coisa e o seu oposto. Afinal, ele está atendendo à voz das ruas — dos que estão nas ruas ao menos. Joaquim Barbosa, numa entrevista impressionante, flerta com o baguncismo.
Os que resolveram brincar de Primavera Árabe no Brasil correrão o risco de amanhecer com o Inverno Tupiniquim. A crise no Brasil é menos de representatividade, como sugeriu Barbosa (ainda voltarei ao assunto), do que de valores.
Um processo Constituinte, com a temperatura a que as coisas foram elevadas, de maneira artificial e irresponsável, teria como primeiras vítimas a liberdade de expressão e de informação. Não me impressiona que os estúpidos não percebam porque, se percebessem, estúpidos não seriam. “Ah, mas seria um processo constituinte só para reforma política!” Isso não existe. É perfeitamente possível agredir fundamentos da Constituição sob o pretexto de regular eleições. Alias, temos dispositivos dessa natureza em leis ordinárias já hoje.
Amplos setores da imprensa perderam o eixo. Bastou o barco dar uma balançada e logo entraram em pânico, como marujos de primeira viagem. Outros resolveram fazer de conta que o ruim era bom. Abandonaram os valores nos quais se ancora uma imprensa independente e livre para ceder à gritaria. Esqueceram-se de que as forças do lulo-petismo são organizadas e estão infiltradas inclusive na cúpula do Judiciário. Sob o pretexto de ouvir as ruas, serão reverentes à vontade do partido.
Sabem o que é isso? Falta de leitura, anemia teórica, mistura de arrogância e medo. É evidente que não daria em boa coisa. Ainda voltarei a Joaquim Barbosa, que deveria estar menos orgulhoso de ser apontado como presidenciável e ser mais humilde e reverente diante da… CONSTITUIÇÃO!
Nenhum comentário:
Postar um comentário