terça-feira, 25 de junho de 2013

Gorjeta de US$ 5 faz lixeiros perderem emprego em Nova York
E.C. Gogolak - NYT                                         
Eles são conhecidos como os Mais Fortes de Nova York, porque o trabalho deles exige frequentemente que passem hora após hora atirando sacos pesados na traseira de caminhões. Logo, não deveria causar surpresa que seus moradores agradecidos ocasionalmente deem alguns dólares a esses trabalhadores.
Mas foi um gesto de apreço desses que colocou fim às carreiras de dois antigos trabalhadores do Departamento de Saneamento da cidade após cada um deles ter aceito US$ 5 em dinheiro de um morador do Queens, segundo uma decisão tomada na segunda-feira pelo Painel de Conflitos de Interesse da cidade.
Os dois trabalhadores, Robert Bracone e Rene Torres, foram multados em US$ 2 mil e afastados do trabalho pelo painel em vez de enfrentarem uma ação disciplinar potencial por parte do departamento. Bracone trabalhava como lixeiro desde 1986 e Torres desde 1990.
Os eventos que levaram à decisão ocorreram em 12 de dezembro de 2011, em Corona, Queens, quando chegaram a uma casa que contava com uma quantidade especialmente grande de lixo aguardando por eles, segundo declarações assinadas pelos dois lixeiros e fornecidas pelo painel de conflitos.
O morador, cujo nome não foi revelado pelo painel, colocou duas placas de madeira, dois feixes de madeira, um tapete, dois sacos de recicláveis e cinco sacos de lixo doméstico na calçada para a coleta. Bracone e Torres perguntaram ao morador sobre os US$ 20 que a namorada dele disse que ela deixaria para eles, segundo as declarações dos lixeiros. O morador disse que só tinha US$ 10. Então os dois lixeiros recolheram o lixo e receberam o dinheiro.
No dia seguinte, Bracone e Torres foram intimados pelo Departamento de Saneamento por pedir dinheiro ao morador e por aceitá-lo, segundo Kathy Dawkins, uma porta-voz do departamento. Nem o painel de conflitos e nem o Departamento de Saneamento disseram como souberam do pagamento.
Quando contatado por telefone na segunda-feira, Bracone disse: "Eu não tenho nada a dizer agora. Eu estou apenas preocupado com minhas costas e joelhos", que ele explicou que sofreram com seus muitos anos nesse emprego. Não havia um número de telefone listado no nome de Torres e o advogado de ambos os homens, Allen Cohen, se recusou a comentar. Segundo o site SeeThroughNY.net, que lista os salários municipais de Nova York, cada um deles recebeu mais de US$ 100 mil, incluindo horas extras, em 2011.
Tom Doyle, presidente da Sociedade Esmeralda do Departamento de Saneamento, uma fraternidade dos trabalhadores de saneamento, disse que o departamento possui uma política rígida de que "gorjetas de qualquer tipo não devem ser dadas ou aceitas". Um membro do sindicato que representa os trabalhadores de saneamento, que se recusou a dar seu nome, disse: "Não é comum aceitarmos dinheiro".
Dawkins disse que não está claro que tipo de punição os trabalhadores poderiam ter recebido, porque eles deixaram o emprego antes da solução do caso. Mas ela disse que a quantia pequena de dinheiro envolvida não teria feito diferença. "Solicitar ou aceitar propina é contra a lei de Nova York e contra as regras do Departamento de Saneamento", disse Dawkins.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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