Eva Larrauri e Luis Gómez - El Pais
Os restos humanos encontrados na academia em Bilbao (País Basco) onde a polícia deteve, no último domingo (2), Juan Carlos Aguilar Gómez por torturar uma mulher e deixá-la gravemente ferida, correspondem a uma só pessoa. A vítima mortal do mestre shaolin, um especialista em artes marciais, é Jenny Sofía Rebollo, de nacionalidade colombiana, 40 anos. A polícia conseguiu identificá-la na terça-feira (4) porque tinha antecedentes penais de pequena importância, segundo fontes ligadas à investigação.
Os restos humanos encontrados na academia em Bilbao (País Basco) onde a polícia deteve, no último domingo (2), Juan Carlos Aguilar Gómez por torturar uma mulher e deixá-la gravemente ferida, correspondem a uma só pessoa. A vítima mortal do mestre shaolin, um especialista em artes marciais, é Jenny Sofía Rebollo, de nacionalidade colombiana, 40 anos. A polícia conseguiu identificá-la na terça-feira (4) porque tinha antecedentes penais de pequena importância, segundo fontes ligadas à investigação.
A segunda mulher agredida por Aguilar, Mauren Ada Ortuya, uma nigeriana de 29 anos, morreu na quarta-feira (5) de manhã depois de ser internada em coma por causa das lesões causadas por Aguilar, após trancá-la em uma academia de sua propriedade. Os restos de Rebollo foram encontrados em sacos de lixo no mesmo local. Aguilar seria transferido para a prisão de Basauri (Bizkaia).
Uma nota divulgada pelo hospital explicou que o estado de Ada no momento da internação era muito grave, depois de ter sido reanimada de urgência pelos serviços médicos. Estes a encontraram na academia de Aguilar amarrada pelos pés, as mãos e o pescoço, e com sinais de ter sido espancada em todo o corpo.
No momento da detenção Aguilar mostrava-se "muito confuso", segundo a polícia. Não opôs resistência e se deixou conduzir, com o rosto coberto por uma camisa, ao veículo da patrulha que o levou à delegacia. Em declarações posteriores, disse "acreditar" que em 31 de maio matou uma mulher. A polícia afirma que sua intenção com Ada também era torturá-la até a morte.
Os investigadores calculam que o assassinato da colombiana pode ter ocorrido em 25 de maio. A identificação dessa vítima graças a seus antecedentes policiais permitiu abreviar sensivelmente essa parte da investigação. Os responsáveis pela polícia basca pediram na última segunda-feira "tempo para trabalhar" em uma tarefa que previam que fosse longa devido à complexidade dos relatórios forenses a realizar.
O detido é um homem ligado há anos à cultura oriental, especialista em artes marciais, que alardeou em programas de televisão e entrevistas ser o primeiro ocidental ordenado monge shaolin na China. Ele não tinha antecedentes policiais por crime semelhante. A polícia acredita que agiu sozinho.
A descoberta de sacos de lixo com restos orgânicos, entre os quais havia vértebras e pedaços de extremidades, na academia para onde Aguilar levara à força sua vítima, apontava para a possibilidade de que se tratasse de um assassino em série. Em princípio, os policiais trabalharam com a hipótese de que houvesse restos de duas pessoas, embora com sérias dúvidas sobre a existência da segunda.
A busca de indícios de outros assassinatos começou no próprio domingo, inclusive nos recipientes de lixo próximos, e continuou até terça-feira na academia, onde recentemente haviam sido realizadas reformas, próxima à ria de Bilbao.
Mergulhadores da polícia mantiveram o rastreamento do braço de mar até a última hora da manhã de terça, na altura do bairro de Deusto, onde se suspeitava que Aguilar pudesse ter atirado restos de suas vítimas.
O perfil da mulher nigeriana agredida pelo mestre shaolin --uma prostituta estabelecida na Espanha há cerca de três anos-- indicava a possibilidade de que Aguilar escolhesse mulheres entre coletivos de imigrantes ou pessoas pouco enraizadas, que desaparecem sem deixar rastro e não são reclamadas por parentes.
A associação de ajuda às prostitutas Askabide, implantada nas zonas de Bilbao onde trabalham mulheres estrangeiras, criticou que a violência de Aguilar se concentrasse nas pessoas mais vulneráveis. Na entidade não consta o desaparecimento de alguma mulher correspondente ao perfil da colombiana identificada. "Por sua forma de vida, não é estranho que elas desapareçam temporariamente ou se transfiram para trabalhar em outro lugar e se perca seu contato", explicou um associado.
Desde seu regresso à Espanha em 1995, depois de ter estado no Templo de Shaolin, Aguilar tentou se transformar na única referência em torno do kung-fu, e mais concretamente no estilo shaolin.
Foi um homem especialmente prolífico em vídeos e publicações, assim como em intervenções televisivas. Mas essa faceta, somada ao caráter prepotente, acabou por transformá-lo em um personagem muito polêmico no complicado setor das artes marciais. "Quando voltou da China, queria que todo o kung-fu passasse por ele. Havia se relacionado com o taekwondo e logo aparece vestido de laranja e como mestre de kung-fu. Mas não apresentou qualquer certificado, que na China é dado quando se participa de algum curso", afirma Juan Carlos Serrato, esportista que também faz constar em seu currículo o título de diplomado pelo Templo de Shaolin em Henan (China), em 1994, em datas que coincidem com a estada de Aguilar.
O professor Javier Hernández também conheceu Aguilar: "Pessoalmente só o vi uma vez, mas sei de suas andanças há anos". "De Aguilar conhecíamos o perfil", acrescenta Hernández. "Sempre esteve com a máscara posta e agora lhe caiu. É preciso levar em conta que o último monge shaolin morreu há 300 anos e que foi o governo chinês quem reabilitou o antigo templo para criar um parque temático e montar um bom negócio."
Tanto Hernández como Serrato afirmam que Aguilar organizava viagens à China com estada no Templo de Shaolin. "Fez isso durante sete anos seguidos e tudo correu muito bem. As pessoas voltavam embevecidas depois de pagar € 3 mil por uma semana. O problema é que aqui há anacoretas por todo lado", declara Hernández. "Depois começou a aplicar o voto de pobreza a seus alunos para que lhe dessem dinheiro", acrescenta. Serrato reconhece que há muitas referências nos fóruns sobre a rigidez que aplicava aos alunos.
O caos sobre o kung-fu é notável na Espanha, pois as federações de caratê, judô e luta se atribuem competência em especialidades relacionadas ao kung-fu, embora seja a de caratê que tem os direitos sobre essa denominação.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Uma nota divulgada pelo hospital explicou que o estado de Ada no momento da internação era muito grave, depois de ter sido reanimada de urgência pelos serviços médicos. Estes a encontraram na academia de Aguilar amarrada pelos pés, as mãos e o pescoço, e com sinais de ter sido espancada em todo o corpo.
No momento da detenção Aguilar mostrava-se "muito confuso", segundo a polícia. Não opôs resistência e se deixou conduzir, com o rosto coberto por uma camisa, ao veículo da patrulha que o levou à delegacia. Em declarações posteriores, disse "acreditar" que em 31 de maio matou uma mulher. A polícia afirma que sua intenção com Ada também era torturá-la até a morte.
Os investigadores calculam que o assassinato da colombiana pode ter ocorrido em 25 de maio. A identificação dessa vítima graças a seus antecedentes policiais permitiu abreviar sensivelmente essa parte da investigação. Os responsáveis pela polícia basca pediram na última segunda-feira "tempo para trabalhar" em uma tarefa que previam que fosse longa devido à complexidade dos relatórios forenses a realizar.
O detido é um homem ligado há anos à cultura oriental, especialista em artes marciais, que alardeou em programas de televisão e entrevistas ser o primeiro ocidental ordenado monge shaolin na China. Ele não tinha antecedentes policiais por crime semelhante. A polícia acredita que agiu sozinho.
A descoberta de sacos de lixo com restos orgânicos, entre os quais havia vértebras e pedaços de extremidades, na academia para onde Aguilar levara à força sua vítima, apontava para a possibilidade de que se tratasse de um assassino em série. Em princípio, os policiais trabalharam com a hipótese de que houvesse restos de duas pessoas, embora com sérias dúvidas sobre a existência da segunda.
A busca de indícios de outros assassinatos começou no próprio domingo, inclusive nos recipientes de lixo próximos, e continuou até terça-feira na academia, onde recentemente haviam sido realizadas reformas, próxima à ria de Bilbao.
Mergulhadores da polícia mantiveram o rastreamento do braço de mar até a última hora da manhã de terça, na altura do bairro de Deusto, onde se suspeitava que Aguilar pudesse ter atirado restos de suas vítimas.
O perfil da mulher nigeriana agredida pelo mestre shaolin --uma prostituta estabelecida na Espanha há cerca de três anos-- indicava a possibilidade de que Aguilar escolhesse mulheres entre coletivos de imigrantes ou pessoas pouco enraizadas, que desaparecem sem deixar rastro e não são reclamadas por parentes.
A associação de ajuda às prostitutas Askabide, implantada nas zonas de Bilbao onde trabalham mulheres estrangeiras, criticou que a violência de Aguilar se concentrasse nas pessoas mais vulneráveis. Na entidade não consta o desaparecimento de alguma mulher correspondente ao perfil da colombiana identificada. "Por sua forma de vida, não é estranho que elas desapareçam temporariamente ou se transfiram para trabalhar em outro lugar e se perca seu contato", explicou um associado.
Mais acrobata do que monge
Juan Carlos Aguilar gostava de ser chamado de mestre há 20 anos, desde que voltou da China transformado em um guerreiro excepcional, segundo ele mesmo afirmava, porque o restante do setor não parava de reconhecer seus supostos méritos. Além disso, a Federação Espanhola de Caratê enviou uma circular a todas as suas delegações advertindo que Aguilar nunca foi federado, nem associado, nem ganhou qualquer campeonato espanhol de kung-fu. Pessoas que combateram contra ele em alguns torneios o qualificam como "bom tecnicamente, mas não um grande lutador". Outros especialistas o descrevem mais como um "acrobata" do que um "monge".Desde seu regresso à Espanha em 1995, depois de ter estado no Templo de Shaolin, Aguilar tentou se transformar na única referência em torno do kung-fu, e mais concretamente no estilo shaolin.
Foi um homem especialmente prolífico em vídeos e publicações, assim como em intervenções televisivas. Mas essa faceta, somada ao caráter prepotente, acabou por transformá-lo em um personagem muito polêmico no complicado setor das artes marciais. "Quando voltou da China, queria que todo o kung-fu passasse por ele. Havia se relacionado com o taekwondo e logo aparece vestido de laranja e como mestre de kung-fu. Mas não apresentou qualquer certificado, que na China é dado quando se participa de algum curso", afirma Juan Carlos Serrato, esportista que também faz constar em seu currículo o título de diplomado pelo Templo de Shaolin em Henan (China), em 1994, em datas que coincidem com a estada de Aguilar.
O professor Javier Hernández também conheceu Aguilar: "Pessoalmente só o vi uma vez, mas sei de suas andanças há anos". "De Aguilar conhecíamos o perfil", acrescenta Hernández. "Sempre esteve com a máscara posta e agora lhe caiu. É preciso levar em conta que o último monge shaolin morreu há 300 anos e que foi o governo chinês quem reabilitou o antigo templo para criar um parque temático e montar um bom negócio."
Tanto Hernández como Serrato afirmam que Aguilar organizava viagens à China com estada no Templo de Shaolin. "Fez isso durante sete anos seguidos e tudo correu muito bem. As pessoas voltavam embevecidas depois de pagar € 3 mil por uma semana. O problema é que aqui há anacoretas por todo lado", declara Hernández. "Depois começou a aplicar o voto de pobreza a seus alunos para que lhe dessem dinheiro", acrescenta. Serrato reconhece que há muitas referências nos fóruns sobre a rigidez que aplicava aos alunos.
O caos sobre o kung-fu é notável na Espanha, pois as federações de caratê, judô e luta se atribuem competência em especialidades relacionadas ao kung-fu, embora seja a de caratê que tem os direitos sobre essa denominação.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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