quinta-feira, 27 de junho de 2013

Venezuela diz estar pronta a considerar asilo a Snowden
Presidente Nicolás Maduro afirma que ex-técnico da CIA merece proteção humanitária
Sem reserva em voos, Snowden continua no aeroporto de Moscou
Americano estaria à espera de uma resposta a um pedido de asilo no Equador, decisão que poderia levar meses, segundo chanceler
O Globo

Edward Snowden é visto em uma televisão do aeroporto de Moscou Sheremetyevo
Foto: SERGEI KARPUKHIN / REUTERS
Edward Snowden é visto em uma televisão do aeroporto de Moscou Sheremetyevo - SERGEI KARPUKHIN / REUTERS
MÉXICO - Enquanto o fugitivo Edward Snowden continua aparentemente escondido no aeroporto de Moscou, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira que seu país estava pronto para considerar um pedido de asilo do americano. Snowden, procurado por Washington sob a acusação de vazar informações secretas, não fez reserva em qualquer voo da companhia área russa Aeroflot para os próximos três dias. Ele estaria à espera de uma resposta a um pedido de asilo no Equador, decisão que poderia levar meses, segundo o ministro das Relações Exteriores equatoriano.
- Gostaríamos de considerar isso, porque o asilo é uma medida de proteção humanitária e um mecanismo da lei humanitária internacional, que é popular na América Latina e sempre foi usada para proteger os desamparados - afirmou Maduro, acrescentando que Snowden ainda não havia feito oficialmente um pedido de asilo à Venezuela. - Ninguém tem o direito de espionar ninguém e este jovem (Snowden), que falou ao mundo sobre isso, merece proteção humanitária.
O chanceler equatoriano Ricardo Patiño comparou o caso de Snowden ao do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que recebeu asilo na Embaixada do Equador em Londres. Patiño disse que o Equador teve dois meses para tomar uma decisão, no caso de Assange, por isso não se pode esperar que o país tome uma decisão antes disso.
Snowden fugiu para Hong Kong depois de revelar publicamente informações sobre programas secretos de vigilância do governo dos EUA. Em seguida, voou para Moscou no domingo, fugindo de um pedido de extradição dos EUA. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse na terça-feira que Snowden não havia cruzado a fronteira russa pois estava na área de trânsito do aeroporto, e que o país não tinha a intenção de entregá-lo a Washington.
- Eles não estão voando hoje, e não ao longo dos próximos três dias - disse um representante da Aeroflot no balcão de transferência do aeroporto de Sheremetyevo quando perguntado se Snowden e sua advogada, Sarah Harrison, tinham passagens para embarcar em algum voo nesta quarta-feira. - Eles não estão no sistema.
Snowden não foi visto em público, mas autoridades russas dizem que ele está no aeroporto, à espera de uma resposta a um pedido de asilo no Equador. O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, indicou que no momento aguarda um comunicado por escrito dos Estados Unidos sobre a situação legal de Snowden, para que assim possa analisar o pedido de asilo político.
O caminho lógico a seguir, e para o qual Snowden chegou a ter uma reserva, seria um voo da Aeroflot via Havana. Na segunda-feira, no entanto, ele não usou sua passagem para Cuba, uma manobra aparentemente orquestrada pelo WikiLeaks. A oferta de voos alternativos, enquanto os Estados Unidos pressionam outros países a não recebê-lo ou para prendê-lo no momento da chegada, seria limitado.
Putin negou que Snowden estava sendo entrevistado pela inteligência russa e disse que quaisquer acusações dos EUA de que Moscou estava ajudando-o eram “delírios e bobagem”. O governo chinês também criticou os Estados Unidos duramente pelas acusações de que a China e Hong Kong teriam se envolvido nos planos de fuga do americano.
Snowden é investigado pelo Departamento de Justiça dos EUA sob acusação de roubar propriedade do governo, comunicar sem autorização informações de segurança nacional e divulgar internacionalmente informação secreta a pessoas não autorizadas - as duas últimas denúncias estão previstas na Lei de Espionagem.
Os EUA solicitaram no sábado a prisão de Snowden. O governo de Hong Kong, no entanto, alegou que o pedido “não se adequava completamente aos precedimentos legais” do território e que suas solicitações por mais informações não foram respondidas. Diante disso, argumentou que não havia “base legal para impedir Snowden de sair do país”.

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