domingo, 10 de setembro de 2017

Após testemunho de Palocci, dirigentes de siglas aliadas ao PT debatem plano para eleição sem Lula
Painel - FSP
Terra de ninguém Sob impacto do depoimento de Antonio Palocci, dirigentes de siglas que são aliadas históricas do PT decidiram iniciar, ainda em reserva, discussões sobre o rumo que tomarão em 2018. Eles não veem chances de o ex-presidente Lula ser candidato à Presidência e argumentam que não há substituto — nem mesmo um nome ungido pelo petista — que consiga unificar a esquerda. A ordem agora é pensar no próprio plano B. Sem Lula no páreo, argumentam, “todo mundo é japonês”.
Não para Os aliados do PT avaliam que “o pior não é o que Palocci disse” em depoimento a Sergio Moro, na quarta (6), mas o que ele “ainda vai falar”. Para esses políticos, o que o ex-ministro e integrante da cúpula do PT fez “foi uma ‘avant-première’” do arsenal que possui.
Frio e calculado Diversas expressões que causaram furor público no testemunho de Palocci — entre elas o famoso “pacto de sangue” da propina — já haviam sido ditas por ele aos procuradores com quem negocia uma intrincada delação premiada, em Curitiba.
Tem quem queira Um trote do deputado Fábio Faria (PSD-RN) no colega Dudu da Fonte (PP-PE) foi a sensação de Brasília neste Sete de Setembro. O potiguar, famoso na Câmara pelas imitações, telefonou ao pernambucano fingindo ser Lula.

Tem quem queira 2 Faria gravou a brincadeira e distribuiu a outros colegas. Simulando a voz do petista, disse a Dudu que gostaria de conversar e perguntou se ele estava em Brasília. “Presidente, que saudade!”, ouviu como resposta.
Jogo duro Num último esforço para aprovar o distritão misto, os articuladores da reforma política propõem — em troca do novo sistema eleitoral — aprovar só a cláusula de barreira. Se não der certo, avisam, passa a cláusula com 2% e o fim das coligações proporcionais.
Trava PT, PRB e PR são os partidos que mais resistem à troca do modelo.
Segundo round A Lava Jato em Curitiba chamou Luiz Eduardo Soares —o executivo que ajudou a Odebrecht a movimentar recursos no exterior e virou um dos 78 delatores da empresa— para prestar novos depoimentos.
Ajuste de mira A força-tarefa quer que ele aponte as instituições financeiras que ajudaram a movimentar dinheiro sujo dentro do Brasil.
Vejo brechas Os advogados do presidente Michel Temer acreditam que, com a reviravolta na delação da J&F, podem reverter na Justiça a derrota do presidente em ação contra Joesley Batista por calúnia e difamação.
O jogo virou Em junho, um juiz rejeitou a demanda de Temer, que recorreu. Ato seguinte, em resposta elaborada por sua defesa, Joesley se fiou em seu acordo para criticar a ofensiva.
O jogo virou 2 O empresário disse que o presidente usava a queixa-crime para intimidá-lo pois estava inconformado “com os termos do acordo de colaboração”.
Deixe-me O relator da Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, ficou mais calado e reflexivo nas horas que antecederam os pedidos de prisão de Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcello Miller, no fim da noite de sexta (8).
Já foi pior Aos que questionaram a agilidade com que a PGR solicitou o encarceramento de Miller, aliados de Ângelo Goulart Villela, o outro procurador que acabou encrencado com a Lava Jato, lembram que ele teve o pedido prisão expedido sem sequer ser ouvido.
Prioridades Acusado de receber propina para repassar informações a executivos da J&F, Villela só prestou o primeiro depoimento para dar sua versão dos fatos mais de 50 dias após ter sido preso.

Nenhum comentário: