Novidades paulistanas
FSP - Editorial
Alta de Fernando Haddad no Datafolha reflete peso da TV antes mesmo do início oficial da campanha e da influência de Lula -que já foi maior
Após vegetar entre dezembro e março no patamar de 3-4% de preferência dos eleitores paulistanos, o pré-candidato do PT a prefeito, Fernando Haddad, deu salto de cinco pontos percentuais na pesquisa Datafolha. Cravou 8%, empatando com Soninha Francine (PPS).
Longe, portanto, de um desempenho brilhante. São 13 pontos de diferença para o segundo colocado, Celso Russomano (PRB), e 22 para o líder, José Serra (PSDB).
O movimento prova que a campanha começou de fato, ainda que proibida até 6 de julho (tribunais eleitorais nutrem a ilusão de ditar os ritmos da política nacional). E, como de hábito, atesta o poder decisivo da exposição midiática.
O raciocínio não vale apenas para Haddad, beneficiado pela exibição continuada ao lado do padrinho e indigitador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo apoio mais discreto da presidente Dilma Rousseff. Abarca, também, o pré-candidato Russomano, que cresceu cinco pontos desde dezembro por obra e graça de uma emissora de TV e seu alto clero.
De um ponto de vista estritamente pragmático, o estrategista Lula terá suas razões para arrostar Marta Suplicy, candidata "natural" a uma nova derrota na prefeitura, e lançar-se nos braços de Paulo Maluf (PP) para agregar um minuto e meio de propaganda eleitoral nos programas de rádio e TV que se iniciam em 21 de agosto.
Haddad é o rosto novo do PT para o velho enredo brasileiro das alianças estapafúrdias, no qual não há lugar para coerência ideológica ou histórica. Convidar para vice a antiga militante e ex-prefeita Luiza Erundina (PSB), corrida do PT em 1993 por falta de disciplina partidária, serve de compensação para a guinada malufista, numa espécie de deferência à militância petista mais tradicional.
Anotem-se, porém, duas novidades no conciliábulo petista, cujo impacto eleitoral ainda é difícil precisar. Primeiro, a queda verificada pelo Datafolha na influência de Lula -49% dos eleitores se declaravam propensos a escolher o candidato indicado pelo ex-presidente, contra 39% agora. Segundo, a rebelião de Marta contra Lula e o noviço Haddad, que a senadora até aqui se recusou a promover; a própria Erundina já ameaça rever sua participação na chapa, em protesto pela aliança com Maluf.
Com taxa de rejeição baixa (12%) e o lastro de popularidade com Lula e Dilma, porém, não é improvável que Haddad continue a crescer e chegue ao segundo turno galgando o patamar de 30% que o PT costuma alcançar em São Paulo.
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