quinta-feira, 6 de junho de 2013

Merkel leva campanha eleitoral alemã às áreas de inundações
Juan Gómez - El Pais
A campanha para as eleições de setembro chegou na terça-feira até as enchentes que inundam grandes áreas do sudeste alemão desde o fim de semana. A chanceler Angela Merkel visitou algumas das localidades mais atingidas, como Passau, na Baviera, onde o rio Danúbio superou todas as marcas alcançadas nos últimos 500 anos. Protegida por uma simples capa escura e com calçado de montanha, a líder democrata-cristã (CDU) passeou por algumas ruas enlameadas da cidade que muitos guias turísticos descrevem como "a Veneza da Baviera".
O primeiro-ministro bávaro, o social-cristão Horst Seehofer (CSU), escolheu uma indumentária com cores de emergência vistosas e o logotipo da Cruz Vermelha, combinando com botas brilhantes. Depois de exibir sua comparativa sobriedade, Merkel confirmou seu conhecido senso de oportunidade: "É óbvio que este é um acontecimento que não cabe qualificar só como o acontecimento do século, é preciso descrevê-lo como algo exorbitante". Em seguida prometeu 100 milhões de euros de "ajuda muito rápida e não burocrática".
Durante as graves inundações de 2002, o então chanceler Gerhard Schröder (1998-2005) percorreu as áreas inundadas com botas de borracha e capa impermeável, prometendo ajuda e dando ânimo aos moradores. Essas imagens de coragem pessoal promoveram sua até então morna campanha para as eleições gerais daquele ano, que ganhou à frente do Partido Social-Democrata (SPD).Andreas Gebert/EFE Chanceler Angela Merkel visita áreas inundadas na Alemanha, nesta terça-feira (4)
Resta ver que efeito terão as imagens de terça-feira na campanha de Merkel, mas nestes dias se elevaram vozes críticas de diversas associações ambientalistas. Acusam a centro-direita de Merkel de não ter investido o suficiente para habilitar as várzeas dos rios, para atenuar o efeito de enchentes como a que está alagando vastas regiões alemãs.
A confederação de organizações ambientais DNR protestou na terça-feira pelos baixos investimentos em infraestrutura de segurança depois das inundações de 2002. Os ecologistas pedem a "renaturalização" das bacias canalizadas. Aquela enchente causou danos de cerca de 13 bilhões de euros.
Diversos veículos da mídia alemã explicavam na terça-feira as medidas multimilionárias adotadas em consequência. Algumas fracassaram por falta de orçamento, como o dique que deveria proteger a cidade de Grimma, na Saxônia, uma das alagadas neste fim de semana. Só a metade foi construída.
Na Alemanha, esse tipo de polêmica cresce lentamente, mas Berlim está reagindo às críticas com muita tranquilidade.
Em comparação com os 21 mortos deixados pela enchente do Elba em 2002, as três mortes admitidas até agora nas atuais enchentes parecem avalizar as medidas de proteção. Entre os verdes, o candidato eleitoral Jürgen Trittin advertiu, porém, que a Alemanha "não pode ficar esperando que a cada dez anos ocorra a inundação do século". Os verdes pedem que "se dê mais espaço aos rios e se promovam medidas preventivas ecológicas". O líder social-democrata, Peer Steinbrück, por sua vez, enviou sua solidariedade aos atingidos.
"Há dinheiro para tantas coisas que me parece que nesta situação de emergência encontraremos a maneira de ajudar as pessoas", afirmou Merkel durante seu percurso pelas áreas catastróficas. Os 100 milhões de euros prometidos irão para a Baviera, no próspero sul do país, e também para os estados orientais da Saxônia e Turíngia. Em Dresden, o Elba superou os 8 metros de profundidade. Normalmente tem apenas 2. Há grande temor na região pelos monumentos barrocos da antiga corte saxã. Merkel afirmou em Passau que o governo estuda novas ajudas. Estas incluirão o estado de Saxônia-Anhalt. Merkel sobrevoou a região em um helicóptero e se disse "muito impressionada" pela magnitude do desastre.
O pior é nos países limítrofes. As inundações já custaram dez vidas na República Tcheca, onde foi declarado estado de exceção em quase todas as regiões. O centro histórico de Praga se livrou das inundações graças a diques móveis, mas na terça-feira havia dúvidas se eles continuarão contendo a água. Ali também são lembradas as consequências desastrosas das cheias de 2002. Na Áustria, o rio Danúbio continua preocupando as autoridades, que ordenaram a evacuação de centenas de casas. Duas pessoas morreram e duas continuam desaparecidas desde o fim de semana.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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