Sören Harder - Der Spiegel
Um casal americano encontrou uma alternativa surpreendente às estradas convencionais de asfalto: estradas de painéis solares. Além de fornecer energia elétrica, economizar petróleo e derretendo a neve fresca, eles poderiam também evitar acidentes.
Pensa-se muito sobre quanta energia gastamos para dirigir do ponto A para o ponto B. Mas e se a própria estrada pudesse gerar energia? Julie e Scott Brusaw, um casal de Sandpoint, Idaho, desenvolveram exatamente este conceito, que eles esperam tornar mais limpo e seguro o transporte automotivo do futuro.
A idéia é tão simples quanto engenhosa. Onde quer que sejam feitas estradas, elas podem ser feitas de painéis solares. Eles gerariam eletricidade, que por sua vez seria transmitida para a rede. Assim, o petróleo é economizado duas vezes: carros eléctricos poderiam ser carregados com a energia produzida pelos painéis e os painéis substituiriam o uso do asfalto, cuja produção exige petróleo.
Além disso, a Estradas Solares, como as Brusaws chamaram sua invenção, são aquecidas e equipadas com telas LED integradas, que funcionam não só como sinais de rua, mas também podem mostrar alertas diretamente na estrada.
Os Brusaws estão cientes de que a sua visão não pode ser implementada em um dia. Eles decidiram começar pequenos: com caminhos para pedestres e ciclovias ou em grandes estacionamentos de supermercados. Na visão deles, cada metro quadrado de asfalto que é substituído pela Estrada Solar é um pequeno passo no caminho para a independência em relação aos combustíveis fósseis. O grande salto seria instalá-los nas vias urbanas e rodovias, numa escala global.
O trabalho dos Brusaws foi tão impressionante que este ano eles estão lançando um projeto piloto, pelo qual o Estado lhes premiou com US$ 750 mil. Em sua cidade natal em Sandpoint, Idaho, próxima à fronteira com o Canadá, o casal construiu seu primeiro estacionamento feito a partir de painéis solares.
Os Brusaws encontraram uma série de obstáculos em sua busca por uma substituição inteligente do asfalto. "A superfície tinha de ser texturizada a ponto de fornecer, pelo menos, a tração que as atuais estradas de asfalto oferecem – até mesmo na chuva", explica Scott. "Na fase de desenvolvimento, este foi um dos requisitos mais importantes para a camada superior dos painéis." Eles conseguiram desenvolver um tipo de vidro tão duro quanto o aço, mas nem um pouco liso. "Nós até hesitamos de chamar de vidro, pois está longe de ser uma vidraça tradicional, mas é vidro, então devemos chamá-lo assim", diz Scott.
A composição de um painel é sempre a mesma e consiste de três partes: no topo, uma camada dura de vidro contendo os painéis solares, luzes LED e aquecimento. Então vem a segunda camada, que contém o controle, onde uma unidade de microprocessador ativa as luzes e se comunica com os painéis de estrada. Finalmente, a camada inferior garante que a corrente elétrica coletada do topo chegue às casas e alimente as estações de carregamento para carros elétricos. Além disso, há espaço para outros cabos, tais como de telefone ou televisão.
E os Brusaws pensaram ainda mais à frente. Do lado dos módulos há canais que colegam a água drenada para filtragem. Dessa forma, a água não é desperdiçada e pode ser utilizada para irrigar plantações, por exemplo.
Se a tecnologia funcionar no projeto-piloto, não há praticamente nenhum argumento contra isso, exceto, talvez, que os painéis podem não gerar tanta eletricidade quanto os painéis solares que são posicionados de acordo com os movimentos do sol. Ainda assim, as estradas solares têm um enorme potencial. Só na Alemanha, há cerca de 230 mil quilômetros de estradas, incluindo autoestradas, rodovias federais, estaduais e municipais. Trata-se de cerca de 18 mil quilômetros quadrados de área, o que representa cerca de 5% do território total do país.
Há apenas um problema: Atualmente, a estrada de painéis solares custa cerca de três vezes mais do que as estradas convencionais, dizem os Brusaws. Mas com o tempo, acrescentam, a tecnologia pode realmente começar a dar lucro. Parece até bom demais para ser verdade.
Tradutor: Eloise De Vylder
A idéia é tão simples quanto engenhosa. Onde quer que sejam feitas estradas, elas podem ser feitas de painéis solares. Eles gerariam eletricidade, que por sua vez seria transmitida para a rede. Assim, o petróleo é economizado duas vezes: carros eléctricos poderiam ser carregados com a energia produzida pelos painéis e os painéis substituiriam o uso do asfalto, cuja produção exige petróleo.
Além disso, a Estradas Solares, como as Brusaws chamaram sua invenção, são aquecidas e equipadas com telas LED integradas, que funcionam não só como sinais de rua, mas também podem mostrar alertas diretamente na estrada.
Os Brusaws estão cientes de que a sua visão não pode ser implementada em um dia. Eles decidiram começar pequenos: com caminhos para pedestres e ciclovias ou em grandes estacionamentos de supermercados. Na visão deles, cada metro quadrado de asfalto que é substituído pela Estrada Solar é um pequeno passo no caminho para a independência em relação aos combustíveis fósseis. O grande salto seria instalá-los nas vias urbanas e rodovias, numa escala global.
Ideia louca e brilhante
"No início, metade das pessoas achava que éramos gênios, e a outra metade, que tínhamos perdido um parafuso", diz Scott Brusaw. O engenheiro elétrico passou anos tentando manifestar a ideia de sua esposa. Julie Brusaw é um psicoterapeuta. As estradas não estão dentro da a área de conhecimento de nenhum dos dois. Mas à medida que a discussão nos Estados Unidos sobre a mudança climática se intensificou, os Brusaws tiveram a ideia das estradas solares, e o projeto ganhou vida própria. Em 2009, eles receberam os primeiros financiamentos do governo para a construção dos protótipos.O trabalho dos Brusaws foi tão impressionante que este ano eles estão lançando um projeto piloto, pelo qual o Estado lhes premiou com US$ 750 mil. Em sua cidade natal em Sandpoint, Idaho, próxima à fronteira com o Canadá, o casal construiu seu primeiro estacionamento feito a partir de painéis solares.
Os Brusaws encontraram uma série de obstáculos em sua busca por uma substituição inteligente do asfalto. "A superfície tinha de ser texturizada a ponto de fornecer, pelo menos, a tração que as atuais estradas de asfalto oferecem – até mesmo na chuva", explica Scott. "Na fase de desenvolvimento, este foi um dos requisitos mais importantes para a camada superior dos painéis." Eles conseguiram desenvolver um tipo de vidro tão duro quanto o aço, mas nem um pouco liso. "Nós até hesitamos de chamar de vidro, pois está longe de ser uma vidraça tradicional, mas é vidro, então devemos chamá-lo assim", diz Scott.
A composição de um painel é sempre a mesma e consiste de três partes: no topo, uma camada dura de vidro contendo os painéis solares, luzes LED e aquecimento. Então vem a segunda camada, que contém o controle, onde uma unidade de microprocessador ativa as luzes e se comunica com os painéis de estrada. Finalmente, a camada inferior garante que a corrente elétrica coletada do topo chegue às casas e alimente as estações de carregamento para carros elétricos. Além disso, há espaço para outros cabos, tais como de telefone ou televisão.
E os Brusaws pensaram ainda mais à frente. Do lado dos módulos há canais que colegam a água drenada para filtragem. Dessa forma, a água não é desperdiçada e pode ser utilizada para irrigar plantações, por exemplo.
Uma rede inteligente na rua
Mas o que acontece no caso de um terremoto? "Embora não tenhamos tido a chance de testar ainda, entendemos que um terremoto pode ser catastrófico para uma estrada de qualquer tipo. Basicamente, qualquer força desse tipo que poderia destruir o asfalto ou o concreto teria um resultado semelhante numa Estrada Solar", diz Scott Brusaw. Mas se um painel solar da estrada quebrar, ele pode simplesmente ser substituído, porque todos os elementos se conectam para criar uma rede inteligente na rua, que pode até mesmo usar luzes LED para alertar os motoristas sobre a próxima curva.Se a tecnologia funcionar no projeto-piloto, não há praticamente nenhum argumento contra isso, exceto, talvez, que os painéis podem não gerar tanta eletricidade quanto os painéis solares que são posicionados de acordo com os movimentos do sol. Ainda assim, as estradas solares têm um enorme potencial. Só na Alemanha, há cerca de 230 mil quilômetros de estradas, incluindo autoestradas, rodovias federais, estaduais e municipais. Trata-se de cerca de 18 mil quilômetros quadrados de área, o que representa cerca de 5% do território total do país.
Há apenas um problema: Atualmente, a estrada de painéis solares custa cerca de três vezes mais do que as estradas convencionais, dizem os Brusaws. Mas com o tempo, acrescentam, a tecnologia pode realmente começar a dar lucro. Parece até bom demais para ser verdade.
Tradutor: Eloise De Vylder
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