quinta-feira, 27 de junho de 2013

Para Bruxelas, os grandes da Europa não combatem o desemprego
Claudi Pérez - El Pais
A Comissão Europeia reagiu na quarta-feira (26) às críticas de Berlim, Paris e demais capitais empenhadas em europeizar todos e cada um dos fracassos desta crise. A Alemanha critica abertamente Bruxelas por sua inação. A França está em pé de guerra contra a comissão por lhe impor reformas e por uma política econômica de tamanho único, que só fez agravar a crise. Bruxelas contra-atacou às vésperas de uma cúpula que, entre outras medidas, quer aprovar estímulos contra o desemprego juvenil.
"Há competências que não são próprias da comissão; são responsabilidades dos países membros. O emprego é uma delas. São as capitais que mais podem fazer aí e há anos estão olhando para o outro lado, sem fazer nada", explicou na quarta-feira uma autoridade de Bruxelas a um grupo de correspondentes.
O presidente da comissão, José Manuel Durão Barroso, convocou em 2009 uma cúpula sobre desemprego em Praga. Participaram Suécia, República Tcheca e Espanha. "Nenhum país a mais", lembrou a mesma fonte. "Agora o desemprego está no centro dos problemas e a Alemanha é capaz de mobilizar toda a Europa para a cúpula em Berlim. Está bem. Mas deve-se dizer que as medidas contra o emprego juvenil estavam prontas há tempo", disse, e a Alemanha, por exemplo, as bloqueou em alguns casos.
Afinal, essas propostas serão protagonistas na cúpula que começa hoje, "mas é preciso lembrar que o conselho com os países membros e o Parlamento Europeu não conseguem entrar em acordo sobre os orçamentos, que é de onde devem sair os fundos", acrescentou.
Há um ar de fim de século em Bruxelas, a poucos meses das eleições europeias, com praticamente tudo o que é importante congelado, à espera das eleições de outono na Alemanha, e uma sensação de negacionismo que se estende da situação dos bancos à união bancária ou à difícil saída da crise nos países com mais problemas.
Bruxelas e os governos se acusam mutuamente por essa situação de impasse, com os mercados vigiando, à espera do estopim que volte a acender as chamas da crise do euro.
As grandes capitais aproveitaram inclusive para vincular, como no caso de Paris, as políticas que saem de Bruxelas ao ressurgimento de partidos radicais. "Mas as raízes dos extremismos na Europa são mais profundas e sempre estiveram aí. A Frente Nacional apareceu muito antes das políticas de austeridade", segundo lembrou essa fonte. "O fato de que os grandes partidos de centro-direita ou centro-esquerda insistem em culpar Bruxelas de tudo só vai lhes trazer problemas: em longo prazo sairão ganhando os partidos antieuropeus", acrescentou.
No pior da crise, a reação dos governos foi dar mais poder a Bruxelas: daí surgiram as restrições fiscais nas Constituições, o marcado sotaque pró-austeridade com o selo de Berlim (cuja liderança na Europa é arrasadora) e as recomendações específicas por países que a França agora critica.
"Afinal se impõe um novo consenso que passa pela necessária consolidação fiscal, mas com ênfase para as reformas e medidas de apoio contra o desemprego juvenil e para facilitar o crédito. As reformas são fundamentais nessa estratégia: se algum país critica Bruxelas por fazer recomendações, deve se perguntar por que votou a favor de dar esse mandato à comissão", encerrou.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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