quinta-feira, 27 de junho de 2013

Se eu governasse o mundo, escolas incentivariam o empreendedorismo
Richard Branson - NYT                           
A educação é chave para a criação das empresas do futuro, tornar os negócios uma força do bem e proporcionar oportunidades por todo o mundo. Logo, se eu governasse o mundo, eu introduziria grandes mudanças na forma como percebemos a educação. Eu iria querer um maior foco no aprendizado, atenção e orientação sobre a vida real. Haveria uma ênfase menor na memorização de datas e textos, que são de pouco uso prático.
Eu não gostava da escola e nunca cursei uma universidade, mas esse ponto de vista diferente me ajudou a ver o papel crucial que a educação pode exercer. Como um disléxico que não se saía bem na sala de aula, eu vi como a educação pode ter um impacto negativo se não é dado apoio –mas ela também pode ser a inspiração para novos talentos. Eu conheci recentemente um empreendedor disléxico de 22 anos, Mick Spencer. Ele é míope, de modo que não conseguia ler o quadro-negro na escola, e logo percebeu que não queria trabalhar para ninguém. Ele abriu seu próprio negócio lavando janelas e agora dirige a grife que mais cresce na Austrália –OnTheGo. Ele provou enxergar longe nos negócios.

Igualmente, o espírito empreendedor não era encorajado na minha escola. Quando eu tentei lançar minha "Student Magazine", atraindo anunciantes usando o telefone público da escola, o diretor me disse que eu não poderia continuar dirigindo a publicação e continuar estudando. Então eu abandonei os estudos e saí atrás de meu sonho de dirigir um negócio que pudesse ter um impacto positivo na vida das pessoas.
Em vez de ver o empreendedorismo em oposição ao ensino formal, os dois deveriam se complementar. No Reino Unido, nós apoiamos The Start Up Loans Company, um programa que dá apoio financeiro e orientação para jovens empreendedores. Os estudantes (acertadamente) recebem empréstimos e bolsas para cursarem a universidade –por que os jovens com ideias empolgantes de negócios não recebem a mesma oportunidade?
Isso também poderia ser introduzido para crianças. A Young Enterprise e a Virgin Money promovem iniciativas no Reino Unido que poderiam ser reproduzidas ao redor do mundo, que dão às crianças somas muito pequenas de dinheiro e as desafiam a saírem e produzirem lucro. Se esse tipo de zelo empreendedor fosse encorajado, surgiriam mais empresas brilhantes. É preciso que haja mais programas para ajudar as pessoas a abrirem empresas, não apenas aprenderem teorias sobre administração e negócios.
Muitas pessoas ao redor do mundo não têm acesso à educação. Há 61 milhões de crianças em idade do ensino primário fora da escola e que estão em desvantagem imediata ao tentarem seguir seu caminho no mundo. Se essas crianças recebessem educação prática, elas teriam a chance de desenvolver habilidades para inovar, solucionar problemas e ajudar a assegurar que as próximas gerações de suas comunidades não se vejam na mesma posição.
Nós precisamos de políticas que deem às pessoas a oportunidade de aprender e criar ambientes que estimulem ideias brilhantes. Plataformas online como a Khan Academy permitem que os alunos tenham acesso a conhecimentos com um clicar de botão, e deveriam ser promovidas ainda mais. Explorando o desenvolvimento rápido da tecnologia, nós conseguiremos fornecer educação de alta qualidade a lugares antes remotos, e de formas novas e empolgantes.
Eu daria uma maior ênfase ao aprendizado de habilidades práticas. Apesar de dirigir uma marca global, eu não aprendi a diferença entre bruto e líquido até chegar aos 50 anos. Fornecer instrução financeira e ensino básico de administração e negócios nas escolas poderia ajudar as pessoas a administrarem suas finanças cotidianas, de faturas de cartão de crédito a livros contábeis, e estimular um novo apreço de como os negócios podem ter um impacto positivo sobre indivíduos e comunidades.
Eu também introduziria uma nova abordagem à orientação. Em vez de apenas guiar as pessoas, a orientação deveria ser uma rua de mão dupla, onde professores e estudantes aprendem uns com os outros. Isso promoveria um maior entendimento e um apreço mútuo de pessoas de outras formações, e uma população mais educada. Educação não é apenas o que acontece dentro da escola, ela deve ser encorajada nos negócios e nos lares –onde quer que existam pessoas que queiram a oportunidade de aprender novas habilidades e desenvolver novas ideias.
Além de gerar a criação de mais negócios e dos empregos de amanhã, a educação pode ajudar as pessoas a conciliarem suas diferenças e a criar um ambiente melhor, mais atencioso, para todos. Como disse Nelson Mandela: "A educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo".
(Richard Branson é empresário, filantropo e fundador do Virgin Group, que envolve cerca de 400 empresas)

Tradutor: George El Khouri Andolfato         

       

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