Ricardo Setti - VEJA

A
educadora Neca Setúbal, uma das coordenadoras da campanha, e o
empresário Guilherme Leal, apoiador de Marina: sob a patrulha do
lulopetismo (Foto: Divulgação)
Haja hipocrisia e mentira!
A campanha à reeleição da presidente Dilma (PT) e ela própria estão disparando grosso fogo de artilharia sobre a adversária Marina Silva (PSB) por sua suposta associação com “banqueiros”, chegando à barbaridade — inteiramente mentirosa — de um de seus programas do horário eleitoral afirmar, pela boca de atores, que um Banco Central independente seria entregar os destinos do país aos bancos, o que incluiria até a política externa!!!!
Pois bem, nada como números para restabelecer certas verdades. Está tudo lá, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.
A campanha da “candidata dos banqueiros” recebeu de bancos e instituições financeiras, até o final de agosto, 4,5 milhões de reais em doações.
E quanto teria embolsado a campanha da brava e independente presidente que não se rendem aos famintos “donos do capital”? Bem, segundo o TSE, esses monstros tenebrosos doaram a Dima 9,5 milhões de reais — MAIS DO QUE O DOBRO DO QUE MARINA RECEBEU!!!
E passemos, agora, ao capítulo Neca Setúbal, assessora de Marina e, supostamente, “dona” do Banco Itaú.
Os jornalistas David Friedlander e Érica Fraga, da Folha de S. Paulo, prestaram um grande serviço à verdade e a um mínimo de lisura na campanha presidencial ao esclarecer, em detalhada reportagem na semana passada, quem é, o que faz e o que representa a educadora Maria Alice Setubal, a “Neca” Setubal, colaboradora da candidata do PSB à Presidência da República, objeto de cerrada, demagógica e mentirosa campanha do PT contra a ex-senadora.
A proximidade de Marina com Neca Setúbal, que é, sim, proprietária de ações do Banco Itaú, mas, como se verá, não mais do que isso, está levando os marqueteiros de Dilma a uma cerrada bateria de mentiras contra a ex-senadora, cuja proposta de tornar independente por lei o Banco Central — para que trabalhe tecnicamente, sem influência da politicagem — é atribuída a sua suposta ligação “com banqueiros”, como se a educadora fosse um deles. Neca, junto com o ex-deputado petista Maurício Rands, de Pernambuco, coordena o programa de governo do PSB.

Hipocrisia:
Dilma recebeu mais que o dobro que Marina Silva em doações, mas ataca a
candidata do PSB como estando “nas mãos dos banqueiros” (Ilustração:
debatesculturais.com.br)
A verdade dos fatos: os herdeiros do Itaú são muitos e, como demonstram Friedlander e Fraga, nem sequer a família Setubal tem o maior naco da holding Itaúsa, um dos grupos que controlam o Itaú-Unibanco, pois os descendentes do banqueiro Eudoro Vilela possuem 16,6% das ações, contra 11,3% dos descendentes de Olavo Setubal. Sem contar que não estão consideradas na reportagem as ações pertencentes aos quatro irmãos Moreira Salles, que eram os controladores do Unibanco até a fusão entre os dois colossos, ocorrida em 2008. Os Moreira Salles são, hoje, grandes acionistas do banco resultante.

Armínio
Fraga é culpado de dois crimes graves, na visão do PT: além de ser
rico, é filho de uma cidadã americana (Foto: Ali Burafi/AFP)
Só pisou na sede do banco uma única vez este ano, e foi para participar de uma reunião da Fundação Itaú, que cuida de projetos sociais e culturais do banco. Divorciada e vivendo um segundo relacionamento, ela tem três filhos, e nenhum deles integra os quadros do Itaú-Unibanco: dois trabalham na área financeira, mas em bancos concorrentes, e a filha é psicanalista.
Esclarecida quem é e o que faz Neca Setúbal — vale a pena ler a íntegra da matéria neste link, infelizmente não disponível para quem não assine a Folha ou o UOL –, vamos a algo fundamental deste texto: a postura hipócrita, safada e desonesta do PT, implícita na guerra contra Neca Setúbal e contra o grande empresário Guilherme Leal, um dos controladores da empresa de cosméticos Natura, também colaborador de Marina e seu ex-candidato a vice pelo Partido Verde em 2010. E, claro, a Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central na gestão FHC, ministro da Fazenda em caso de Aécio Neves chegar ao Planalto e um riquíssimo proprietário de empresa de gestão de recursos financeiros.

Marta
Suplicy, Lawrence Pih e Guilherme Leal: os dois primeiros podem ser
ricos e ajudar o PT, mas para o lulopetismo o último não pode, não,
estar ao lado de Marina Silva (Fotos: Clayton de Souza/AE :: Reuters ::
Marisa Cauduro/Folhapress)
A postura do PT é a seguinte: se alguém é rico, não pode de forma alguma querer o bem do Brasil, ter bons propósitos, desejar a melhoria das condições do povo brasileiro. Apesar de o próprio Lula adorar o convívio com os bem nascidos ou os que a vida beneficiou com fortunas, rico é anátema absoluto para o PT: são os petistas, junto com os pobres e os oprimidos, que detêm, com exclusividade, o monopólio de bem-querer ao país e mais, o monopólio do próprio patriotismo.
Fazem tal qual os militares golpistas de 1964, que se apoderaram do Hino Nacional, da bandeira verde-amarela e se auto-consideravam os donos dos sentimentos patrióticos mais nobres. Um ou outro segmento social, eventualmente, poderia compartilhar desses valores, mas seus “donos” verdadeiros, segundo eles próprios, eram os militares.

José
Alencar: empresário e bilionário, o falecido vice-presidente de Lula
era, sim, para o PT, um rico “bom” (Foto: veja.abril.com.br)
Rico presta se é um Matarazzo Suplicy, como o ex-marido de Marta, o senador Eduardo Matarazzo Suplicy, rico pelo dois troncos familiares — o da mãe, Matarazzo, e o do pai, dono do que foi uma das grandes corretoras de valores do Brasil.
Rico, para o PT, é bom só se for como o multimilionário empresário Lawrence Pih, dono entre outras coisas do Moinho Pacífico, um dos maiores do setor trigo no Brasil, um dos primeiros empresários a financiar e a aderir ao PT, no qual exerceu cargos até finalmente desiludir-se com os despautérios do governo Dilma. Para não falar de José Alencar, o empresário bilionário do ramo têxtil que juntou-se a Lula como candidato a vice em 2002, foi reeleito em 2006 e faleceu em 2011.
Como era um “rico do PT”, a José Alencar também era concedida pelo lulopetismo, portanto, a honra de poder ser patriota, desejar o bem para o país e querer melhorar a vida dos mais pobres. Rico que apoia candidato de outra orientação ideológica, definitivamente, não está autorizado a isso.
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