Reinaldo Azevedo - VEJA
Escrevi na
manhã desta terça, neste blog, que Dilma, ao partir para o esmagamento
de Marina Silva, está mexendo com forças que não conhece. Volto ao tema
agora e também tratarei do assunto na minha coluna na Folha, na sexta.
Marina,
como vocês viram, ao negar que vá extinguir o Bolsa Família se eleita,
evocou em um comício o tempo em que seus pais dividiam com oito filhos
um ovo, um pouco de farinha e uns pedacinhos de cebola. A voz ficou
embargada. Verdadeira ou mentirosa (creio que seja fato), a narrativa é
eleitoralmente perigosa. A candidata do PSB vem de um povo de que Dilma
só ouviu falar.
Nesta
quarta, em conversa no Facebook, o “Face-do-Face”, a candidata do PSB à
Presidência voltou a tocar no assunto. Ela se disse vítima de
preconceito e afirmou: “Com minha origem social, tem que provar que é
competente, que pensa, mas é isso aí…”
Notem:
quando escrevi aquele texto, não fiz juízo de valor, não. Só adverti
para a bobagem que o PT (do ponto de vista de seus interesses) está
fazendo. Esse discurso de Marina tem poder. E não, leitores amigos, eu
não simpatizo com esse tipo de apelo, seja na boca de Marina ou na de
Lula, outro que fez muita praça ao longo da história de suas agruras de
infância.
Sempre que
Lula vinha com esse chororô, eu me lembrava na caricatura do
pedinte-assaltante: “Eu poderia estar matando, eu poderia estar
roubando, mas estou, aqui, pedindo…” Honestidade, decência e bons
propósitos não são monopólios de classe social. Alguém nascido em berço
de ouro pode tê-los. Outro, vindo de uma manjedoura, pode ser um
salafrário. Não existe uma relação necessária entre uma coisa e outra.
Ocorre que
o PT está dando um boi danado para Marina Silva. Acostumado a combater o
“outro” de classe — que, segundo a estupidez lulo-petista, é encarnado
pelo PSDB (curiosamente, não pelo PMDB, pelo PP ou por qualquer outra
coisa…) —, não percebe quem é Marina Silva e mete os pés pelos pés.
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