João Bosco Rabello - OESP
Mais grave que o uso da tribuna internacional da
Organização das Nações Unidas (ONU) como palanque para mensagens ao
eleitorado brasileiro, é o conteúdo que a presidente-candidata Dilma Rousseff gerou para narrar as realizações de seu governo.
Dilma descreveu ao maior fórum mundial dos países o mesmo Brasil que levou à piada de campanha em que o sonho de consumo do contribuinte é “morar na propaganda do PT”. Para dentro, pode ser que o discurso atenda ao objetivo de sedução a que se propõe, mas para fora é um desastre.
Os olhos externos voltados para o Brasil são muito mais apurados que os internos, sabem discernir sobre o que se passa no país, principalmente do ponto de vista econômico, em que a narrativa de redução da desigualdade, combate à corrupção, solidez fiscal, inflação sob controle e um resultado positivo diante de condições externas adversas, é sabidamente falso.
Dilma descreveu ao maior fórum mundial dos países o mesmo Brasil que levou à piada de campanha em que o sonho de consumo do contribuinte é “morar na propaganda do PT”. Para dentro, pode ser que o discurso atenda ao objetivo de sedução a que se propõe, mas para fora é um desastre.
Os olhos externos voltados para o Brasil são muito mais apurados que os internos, sabem discernir sobre o que se passa no país, principalmente do ponto de vista econômico, em que a narrativa de redução da desigualdade, combate à corrupção, solidez fiscal, inflação sob controle e um resultado positivo diante de condições externas adversas, é sabidamente falso.
A imagem do governo brasileiro junto aos investidores
é de uma gestão intervencionista, errática, ideológica e que precisa
recorrer à maquiagem dos números para fechar uma conta, ainda assim, no
limite do tolerável. Por isso os investimentos não chegam e essa
realidade não se muda com discurso.
Ao contrário, ela é agravada pela desenvoltura com
que a presidente da República vende a ideia de um país próspero cujo
crescimento está projetado para 0,2% este ano e abaixo de 1,5% em 2015,
segundo a Fundação Getúlio Vargas.
O Brasil fica mais distante da meta de ampliar seu
prestígio internacional, notadamente a busca de um lugar no Conselho de
Segurança da ONU, com a fotografia retocada feita por Dilma. No cenário
externo, o rigor que não existe no interno, é real como as contas do
país sem a metodologia Arno Augustin.
Também questionam os analistas políticos a eficácia
de usar a ONU para um discurso eleitoral direcionado ao eleitor
brasileiro. O raciocínio é simples: o eleitor sensível a esse tipo de
estratégia já apoia Dilma – ele é de mais baixa renda, de menor consumo
de informação qualificada e mais carente de ações assistencialistas de
governo.
Já o eleitorado que a presidente precisa conquistar,
está situado no sul e sudeste do país, é mais informado, de maior renda e
mais sofisticado politicamente. Não é presa fácil de truques básicos e
será preciso mais que o discurso na tribuna da ONU para impressioná-lo.
O dado mais realista que se contrapõe ao país do
programa do PT, versão utilizada por Dilma na ONU, é o que mostra o
agravamento do pessimismo do mercado financeiro em relação aos rumos da
economia.
Para os agentes desse mercado, se o país crescer muito, será na ordem de 0,3%.
Nenhum comentário:
Postar um comentário