Reinaldo Azevedo -VEJA
Os
petistas estão de tal sorte desorientados com Marina Silva que começam a
bater cabeça e a tomar atitudes desencontradas. Não sabem mais o que
fazer. A turma se prepara agora para tomar duas iniciativas: uma mais
ligada ao âmbito da campanha e outra à do governo propriamente.
Como se
viu e se comentou aqui, Marina Silva pediu uma correção do programa
divulgado no capítulo que diz respeito aos direitos dos homossexuais,
que a linguagem “militantemente correta” chama “GLBT”. A primeira versão
falava em apoiar o casamento gay, o PLC 122, que criminaliza a
homofobia, e uma outra proposta aloprada, dos deputados Jean Wyllys
(PSOL-RJ) e Erika Kokay (PT-DF), que transforma o, digamos, sexo civil
numa questão de opinião. Na prática, se o Jurandir, de pênis, barba e
pelo no peito disser que é mulher e se chama Kelley, o poder público tem
de aceitar. E se ele decidir ser Jurandir de novo? Aí destroca. Com a
autorização dos pais, até um menor de idade poderá escolher livremente a
sua “identidade sexual”. É coisa de hospício.
Na nova
versão, fala-se em dar consequência legal à igualdade da união civil
entre homo e heterossexuais e ponto. E o resto que fique — como deve
ser, aliás — para o Congresso. Luciana Genro, do PSOL, decidiu no debate
de ontem pegar no pé de Marina com essa história, atribuindo a
alteração do programa à religião da candidata do PSB, que é evangélica.
Com adversários assim, só resta à ex-senadora erguer as mãos para o céu.
Tais
causas estão longe de ser exatamente populares. De resto, o programa de
Marina, reitere-se, contempla o apoio à chamada “comunidade GLTB”,
abstendo-se apenas do proselitismo. Se existem defeitos na sua proposta —
e os há, às pencas — não é esse. O tal PLC 122, por exemplo, é, sim,
autoritário. Mas o PT sentiu que dá para fazer uma onda, contando com o
apoio de um grupo muito organizado, que agora vai tentar ligar Marina à
homofobia. É desespero de causa. Há quatro anos, fez-se o mesmo com o
tucano José Serra. Os petistas insistem em fazer a história voltar para
trás. Não sei, não… Tendo a achar que isso mais rende votos a Marina do
que tira.
De um lado, então, o PT vai tentar colar em Marina a pecha de evangélica atrasada e inimiga dos gays. De outro, informa a Folha,
“o governo elabora um conjunto de ações com medidas que incluem o
atendimento a uma das principais bandeiras evangélicas no Congresso: o
apoio à Lei Geral das Religiões”. Em que consiste?
O governo
pretende “desengavetar um projeto, proposto em 2009 e há mais de um ano
parado em uma comissão do Senado, para conceder diversos benefícios a
instituições religiosas, entre eles tributários.” Isso faria parte de um
“pacote anti-Marina”.
Deixem-me
ver se entendi direito: o conjunto, então, das ações contra a candidata
do PSB prevê demonizá-la como evangélica radical e antigay e , ao mesmo
tempo, acenar a essa corrente religiosa com benefícios tributários.
Sabem o nome disso? Desespero.
Em 2010, o
PT, com o auxílio de amplos setores da imprensa, fez uma lambança
danada para colar em Serra a pecha de adversário dos gays, o que era,
para dizer pouco, uma canalhice quando se considera o seu trabalho como
ministro da Saúde e como governador. Sem saída, os petistas insistem
nessa tecla, roubado até o discurso de Luciana Genro… Longe das câmeras,
suponho que Marina Silva gargalhe de vez em quando. Se acontecer, ela
gargalha é do PT.
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