O fim que está próximo
A prisão de Joesley Batista e de seu assessor Ricardo
Saud é o desfecho natural de uma aventura de empresários que se
aproveitaram do sistema capitalista selvagem e corrupto que estava
instalado no país à medida que os governos petistas, secundados pelo
PMDB, institucionalizaram a propina como instrumento de decisões
governamentais.
Embora seja reconhecido que o PT não inventou a corrupção na política
brasileira, ele se aproveitou dela para montar um projeto de governo
que fosse eterno enquanto durasse, e que durasse o máximo que fosse
possível alcançar. O Estado brasileiro estava entregue a grupos
corporativos e a empresas como a J&F e a Odebrecht que estivessem
dispostas a jogar o jogo da maneira estabelecida pelos novos donos do
poder.
A prisão em flagrante teve sua interpretação ampliada em diversos
casos durante a Operação Lava Jato, ora em final de temporada já
prevista, aliás, pelo próprio Procurador-Geral da República, Rodrigo
Janot, e pelo Juiz Sérgio Moro. Foi assim que o ex-ministro Geddel
Vieira Lima foi parar na Papuda novamente, depois de descoberto seu
bunker milionário. A simples existências desse dinheiro escondido é uma
demonstração de que ele continuava delinqüindo.
No caso dos irmãos Batista, rescindido o acordo de colaboração
premiada pela quebra de confiança promovida por Joesley, que confessou
em uma auto gravação que não contaria toda a verdade para o Ministério
Público, o processo contra o grupo volta à vida dos autos, e a prisão
preventiva torna-se possível pelo risco que oferecem na destruição de
provas e na atividade de conspiração contra as instituições revelada no
tal auto grampo.
O tempo do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Facchin, é
naturalmente diferente do do Procurador-Geral da República, Rodrigo
Janot, que corre para reparar o erro cometido ao dar imunidade total a
delatores que, se vê agora, não mereciam tanta confiança.
Antes de ressaltar eventuais trapalhadas da PGR, a denúncia de Janot
mostra que ele foi apanhado de surpresa pelos indícios de que fora
enganado em sua boa-fé, e sua atitude deve ter o apoio da sociedade, que
reclamava da complacência abusiva com que os delatores foram tratados.
Janot repetia que faria tudo novamente, diante das provas de crimes
em curso que a gravação da conversa de Joesley Batista com o presidente
Michel Temer proporcionou ao Ministério Público, mas, frente às
evidências de que fora ludibriado, não teve dúvidas em recuar e pedir a
rescisão do contrato de colaboração firmado com os executivos da JBS.
O Supremo Tribunal Federal (STF) está agora com a bola do jogo, e
terá três decisões importantes a tomar. A suspeição do Procurador-Geral
da República para processar o presidente, pedida pela defesa de Temer,
está na pauta da próxima quarta-feira, e quase certamente não será
aceita pelo plenário.
Mais adiante, terá que decidir se suspende a segunda denúncia contra o
presidente Temer até que seja definida a questão das provas contra o
presidente. O ministro Facchin já pediu pauta para esta decisão, que
pretende dividir com seus companheiros.
Se decidir a favor da defesa do presidente, não quer dizer que o
Procurador Janot não possa oferecer a denúncia, significa apenas que ela
não deverá ser encaminhada à Câmara. Por último, o Supremo deverá
decidir pela validade ou não da gravação feita no Jaburu como prova
contra o Presidente.
Se existe uma dúvida com relação a isso, pois o pedido de prisão do
procurador Marcelo Miller significa que a PGR está convencida de que ele
ajudou a JBS a fazer a delação premiada, parece haver maioria a favor
da manutenção das demais provas, inclusive do depoimento de Joesley que
repete e esclarece trechos do diálogo mantido com o presidente Temer.
Como se vê, o Supremo Tribunal Federal (STF) está mais uma vez
protagonizando o cenário político. Sem falar no fato de que os pedidos
de processos contra as cúpulas partidárias do PT, PMDB e PP englobam os
principais políticos do país, além dos demais processos contra senadores
e deputados de distintos partidos.
A Operação Lava Jato parece
deslocar-se de Curitiba para Brasília, inclusive nos desdobramentos das
denúncias contra o ex-presidente Lula. Será nos tribunais superiores que
sua sorte será jogada
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