segunda-feira, 18 de junho de 2012

UMA DECEPÇÃO CHAMADA OBAMA

Europeus estão cada vez mais desiludidos com Obama
Bruce Stokes - Der Spiegel
Os alemães ficaram extáticos quando Barack Obama ocupou o lugar de George W. Bush na Casa Branca. Agora, entretanto, um novo levantamento do Centro Pew de Pesquisa mostra que a desilusão com o presidente americano é grande na Alemanha e que Obama não se mostrou à altura das expectativas elevadas que os europeus tinham a seu respeito.
Em julho de 2008, em um discurso na base da Coluna da Vitória no parque Tiergarten de Berlim, diante de dezenas de milhares de espectadores delirantemente encantados, o então candidato presidencial americano Barack Obama prometeu uma nova estatura dos Estados Unidos no mundo. Após sua eleição em novembro daquele ano, os alemães, outros europeus e muitas pessoas ao redor do mundo abraçaram Obama, em grande parte por ele não ser George W. Bush. Revertendo meia década de profundo antiamericanismo, o apoio ao presidente americano e aos Estados Unidos cresceu a níveis que agora mostraram ser insustentáveis, especialmente na Alemanha. A lua de mel de Obama com o povo alemão não acabou. Mas agora, enquanto ele busca a reeleição, começam a surgir os primeiros indícios de atrito no relacionamento.
Em um novo levantamento global divulgado na última semana, a aprovação às políticas do presidente Barack Obama caiu significativamente desde que ele assumiu o governo. A confiança geral em Obama e as posturas em relação aos Estados Unidos caíram modestamente em consequência. Segundo várias medições, a Alemanha foi um dos lugares onde ocorreu a maior queda, especialmente em relação à imagem dos Estados Unidos e à política externa de Obama. Após mais de três anos na presidência, os alemães estão decepcionados com o unilateralismo do presidente americano; seu uso da força, particularmente os ataques com aeronaves não tripuladas; sua inação em relação à questão de israelenses e palestinos e sua falta de esforço no combate à mudança climática.
Todavia, eles ainda têm grande confiança em Obama na liderança internacional. De fato, com 87%, os alemães são os que mais o apoiam na Europa. Em comparação, em 2008, apenas 14% dos alemães confiavam no então presidente Bush. E nove entre dez alemães querem que Obama seja reeleito. A pesquisa envolvendo mais de 26 mil pessoas foi conduzida em 21 países ao redor do mundo pelo projeto Atitudes Globais do Centro Pew de Pesquisa.
Não mais uma superpotência econômica
A popularidade pessoal de Obama sempre superou o apoio alemão aos Estados Unidos. E hoje apenas metade dos alemães (52%) vê os Estados Unidos de modo favorável, uma queda de 10 pontos percentuais em comparação ao ano passado e 12 pontos desde que Obama foi eleito. Entre os oito países europeus pesquisados, apenas na Grécia (35%) o sentimento pró-Estados Unidos é mais fraco. E as posições alemãs em relação aos Estados Unidos estão divididas segundo as gerações. Os alemães com 50 anos ou mais agora são bem menos pró-americanos (49%) do que os alemães com idades entre 18 e 29 anos (61%). Mas de modo geral, o apoio alemão aos Estados Unidos ainda é bem maior do que em 2007, quando apenas 30% dos alemães viam os Estados Unidos de modo positivo.
Os alemães também não veem os Estados Unidos como sendo uma superpotência econômica. Em 2008, apenas 30% dos alemães citaram a China como a principal potência econômica do mundo. Agora, ela é citada por 62% dos alemães, enquanto apenas 13% dizem que os Estados Unidos exercem esse papel. Outros europeus não julgaram o poder econômico americano tão duramente.
Esse declínio no apoio aos Estados Unidos está estreitamente ligado às críticas dos alemães ao modo como Obama tem lidado com os problemas internacionais. Os alemães que pensam que Obama leva em consideração os interesses de países como a Alemanha quando formula sua política externa são aqueles que têm uma visão favorável dos Estados Unidos. Aqueles que pensam que Washington age unilateralmente veem os Estados Unidos de modo desfavorável. Igualmente, aqueles que desaprovam a forma como Obama lidou com a crise econômica global ou que acham que ele trata de forma injusta a questão de israelenses e palestinos têm uma opinião negativa em relação aos Estados Unidos.
E uma das principais iniciativas de política de segurança de Obama –os ataques com aeronaves não tripuladas contra os grupos e líderes extremistas em países como Paquistão, Iêmen e Somália– atrai críticas dos alemães, com 59% deles desaprovando essas ações, mais ou menos a média na Europa. Como era de se esperar, apenas 29% dos alemães com posições à esquerda no espectro político apoiam os ataques com aeronaves não tripuladas, enquanto 41% daqueles com posições à direita os apoiam. A aprovação mais forte vem daqueles que se autoidentificam como centristas (45%).
Crescem as frustrações com Obama
Mais notadamente, entretanto, é a grande desigualdade de gênero na Alemanha em relação aos ataques com aeronaves não tripuladas. Enquanto 54% dos homens alemães aprovam essas atividades, apenas 24% das mulheres apoiam. Uma diferença dessa magnitude entre homens e mulheres raramente é vista na opinião pública.
Além disso, há uma grave decepção com a forma como Obama está tratando a mudança climática. Em 2009, o Centro Pew de Pesquisa perguntou aos alemães se eles achavam que o presidente recém-eleito faria os Estados Unidos adotarem medidas significativas para controle da mudança climática global. Na época, 76% disseram que sim. Agora, apenas 26% disseram que ele o fez. Apenas os franceses entre os europeus apresentavam expectativas mais altas. E apenas os franceses se mostraram igualmente decepcionados.
Olhando para trás, as esperanças para a presidência Obama eram irrealisticamente altas, especialmente entre os europeus. Houve apenas uma pequena melhora da imagem americana fora da Europa após a eleição de Obama. E apesar de ter ocorrido uma melhora significativa ao redor do mundo na aprovação do presidente americano após a transição de Bush para Obama, apenas na China e no Japão a popularidade do novo garoto prodígio atingiu os níveis europeus.
Era improvável que a realidade se mostrasse à altura das expectativas. E foi o que aconteceu. A verdadeira história da opinião pública global enquanto Obama se lança na campanha pela reeleição pode ser apenas o quanto durou a lua de mel de Obama com os europeus, incluindo os alemães. Todavia, este novo levantamento sugere que as frustrações com Obama e os Estados Unidos estão crescendo. E os líderes em Berlim, Washington e outros lugares precisam estar cientes de suas implicações, especialmente se os americanos derem um segundo mandato para Obama.
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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