A injustiça social de Dilma
No que depende da renda, bem-estar ainda aumentou em 2013, mas país vai parando
Vinícius Torres Freire - FSP
A DESIGUALDADE DE RENDA no Brasil ficou na mesma entre 2011 e 2013, os
três primeiros anos de governo de Dilma Rousseff. O bem-estar social no
entanto aumentou bem nesses anos, inclusive no fraquinho 2013. Isto é, a
renda de todas as classes cresceu. Ainda assim, a candidata-presidente
Dilma Rousseff (PT) será avacalhada de modo extremo, portanto
oportunista, culpada pelo fato de que a distribuição de renda parou de
melhorar (não piorou).
A campanha petista vai provar um pouco do
gosto do lixo ignaro que despejou na campanha marinista com aquela
história de banqueiros do demo.
Isto posto, nem de longe está
tudo azul ou rosa no Brasil que aparece no balanço anual da situação
socioeconômica, publicado ontem pelo IBGE, a Pnad 2013.
Primeiro,
porque em uma país ainda muito iníquo como o Brasil não é possível
aceitar sem mais que a desigualdade deixe de diminuir. Segundo, porque
ao menos parte dessa estagnação se deve ao baixo crescimento da economia
dos anos Dilma. Terceiro, porque o governo não teve imaginação ou
capacidade de alterar algumas características sociais e econômicas do
país, as quais produzem desigualdade.
Repita-se que o bem-estar
social, no que depende da renda, pode melhorar mesmo sem redução da
desigualdade. Talvez a melhora se torne assim desnecessariamente mais
lenta. A renda de todas as "classes" aumentou em 2013 ("classe" aqui é
cada décimo em que é dividida a população). Mas os rendimentos dos 10%
ou 20% mais pobres cresceram menos.
O que pegou? Provavelmente,
reajustes menores do salário mínimo devido ao crescimento menor da
economia, do PIB (o mínimo reajusta benefícios previdenciários e
assistenciais, embora não o Bolsa Família). O crescimento menor do
emprego também deve ter feito estragos.
É possível ainda que a
redução adicional e rápida da desigualdade dependa agora de programas
política e economicamente mais difíceis de implementar. Para dar dois
exemplos elementares:
1) Mexer nos impostos de modo a favorecer
os mais pobres, assim como melhorar a redistribuição de renda (as
transferências de renda nem sempre favorecem os mais pobres);
2)
Melhorar a educação e a infraestrutura de modo a retirar os mais pobres
de trabalhos improdutivos, quando há trabalho, em especial em cafundós
sem infraestrutura (sem estrada, sem acesso a mercados etc.):
agricultores de subsistência, catadores em geral, prestadores de
serviços primitivos, empregados do microcomércio precário, para ficar
apenas em casos aberrantes.
Mas há mais: o Brasil tolera que se
empreguem pessoas em ocupações de produtividade e salários baixos (para
não falar do desperdício humano): frentista, cobrador de ônibus,
porteiro, segurança. Falta de escola e baixo investimento dá nisso.
O
governo até que se mexeu um pouquinho, com Pronatec, subsídios para
faculdades (ruins...) e microcrédito. Mas é muito pouquinho. A escola
básica é o que sabemos, e o investimento em infraestrutura (ou quase
qualquer outro) decresceu devido à política econômica ruim.
A Pnad aliás diz coisas interessantes sobre escola, infraestrutura social e consumo. Mas isso fica para outro dia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário