É bom, mas é ruim
ELIANE CANTANHÊDE - FSP
BRASÍLIA
- Na contramão das estatais e dos órgãos de governo, o IBGE resistiu ao
aparelhamento e às ingerências indevidas e continua dando valiosas
contribuições para a compreensão do país e para detectar o ritmo dos
avanços nas mais diferentes áreas. Doa a quem doer.
Em plena
campanha eleitoral, ao largo de palanques partidários e troca de
ataques, o IBGE deu duas das piores notícias não só para a presidente
Dilma, mas principalmente para a candidata Dilma. O Brasil entrou em
recessão técnica, com dois trimestres consecutivos de crescimento
negativo. E, depois de anos de queda, a Pnad de 2013 mostra que a
desigualdade social parou de cair.
São dois golpes para Dilma.
Um, o pibinho devagar quase parando, ratifica a crítica generalizada de
que a política econômica dos últimos quatro anos deu errado. Outro, a
desigualdade estacionada, enfraquece muito o discurso petista. Lula deve
estar arrancando os cabelos.
O IBGE, porém, é um copo meio cheio, meio vazio. Se contém motivos de ataque contra Dilma, inclui também argumentos de defesa.
Exemplos.
A oposição pode dizer que o desemprego subiu (e deve subir mais em
2014). Mas Dilma pode alegar que, apesar disso, a renda aumentou. A
oposição pode dizer que há 13 milhões de analfabetos no país. Mas Dilma
pode rebater dizendo que, apesar disso, eles continuam diminuindo. A
oposição pode dizer que 43% das residências até hoje não têm esgoto,
outra grande tragédia. Mas Dilma pode alegar que, apesar disso, houve
uma redução acentuada no total. Ou, ao contrário: Dilma se elogiar, a
oposição retrucar.
Ou seja, a Pnad contém dados para todos os
gostos e ângulos. O que importa é que o IBGE resistiu à pressão do
Planalto, via senadores amigões, e continua cumprindo seu papel de
pesquisar, divulgar, analisar e, assim, contribuir para o entendimento e
o planejamento do país, seja quem for o (a) presidente. O IBGE é nosso!
Como a Petrobras um dia foi.
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