sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Atacada por moradores, equipe de saúde na luta contra ebola é encontrada morta na Guiné
Três jornalistas, dois médicos veteranos e o diretor de um hospital regional estariam em cativeiro de difícil acesso em pequeno vilarejo do país
Patrícia Dichtchekenian - OM
Foram encontrados mortos nesta quinta-feira (18/09) seis profissionais de saúde que trabalhavam em uma campanha de conscientização sobre a epidemia de ebola em Guiné-Conacri, anunciaram autoridades do país, segundo a BBC. Na equipe, estavam três jornalistas, dois médicos veteranos e o diretor de um hospital regional que estavam desaparecidos nos arredores da aldeia de Womey, situada em uma região florestal, desde terça-feira (16/09)
Efe

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Segundo o The Guardian, a equipe foi atacada por um grupo de moradores que suspeitavam das intenções da ajuda internacional e os levou para um cativeiro. As buscas das autoridades do país foram dificultadas após os habitantes da aldeia destruírem uma ponte de acesso ao local.
"A reunião começou bem, os chefes tradicionais deram boas-vindas à delegação com 10 nozes de cola como uma saudação tradicional", afirmou ao Guardian um morador local, que deu apenas seu primeiro nome, Yves. "Depois, alguns jovens apareceram e começaram a apedrejá-los. Eles arrastaram alguns para longe e danificaram os veículos deles”, completou.
A aldeia fica dentro do distrito de Nzérékoré, onde já havia acontecido confrontos após profissionais de saúde tentarem higienizar um mercado local no mês passado. Na ocasião, cerca de 50 pessoas foram presas e diversos policiais foram enviados para reprimir os tumultos.
Efe
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Desconfiança dos moradores
Um dos principais países assolados pelo ebola, a Guiné chega ao nono mês de surto sem conseguir obter êxito no controle. Em muitos casos, os habitantes desconfiam das ações de médicos e dos centros de saúde ao lidar com a epidemia.
“A região florestal do sudeste da Guiné é uma zona que historicamente tem uma relação difícil com a capital (Conacri) e as autoridades centrais”, explicou em abril a Opera Mundi o vice-diretor de operações da MSF (Médicos Sem Fronteiras), Mariano Lugli.
Somado a isso, Lugli aponta que a tarefa de comunicação e de sensibilização dos habitantes torna-se mais desafiadora na medida em que eles têm uma “antropologia medicinal” própria para lidar com doenças. “Há uma forte medicina local tradicional e uma dinâmica cultural que não é fácil de compreender para conseguir passar nossas mensagens de modo rápido e eficiente", argumenta.
Joffrey Monnier/MSF

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“Há rumores, por exemplo, que nós retiramos e tomamos para nós os órgãos das pessoas mortas nos centros de isolação. Todo tipo de boato faz com que nosso trabalho seja mal interpretado”, explica. “A única coisa que podemos fazer é trabalhar com as autoridades locais e ver quais são as pessoas que possam passar de melhor forma a nossa mensagem para instruir e explicar a expansão da doença. Essas são as dificuldades de lidar com essas comunidades que ameaçam”, completa o italiano, aludindo ao caso em que habitantes jogaram pedras em médicos da organização, na cidade de Macenta.
No entanto, o vice-diretor relata que o problema de aceitação pela comunidade não é apenas na Guiné e que o exercício da compreensão da doença em diferentes culturas é uma tarefa fundamental do profissional da saúde. “Efetivamente, tivemos um problema semelhante em Angola de 2007, quando houve um surto de uma febre hemorrágica semelhante ao Ebola. É algo que conhecemos, mas não é fácil quando a doença não é conhecida pela população”, conta.
“Infelizmente, há pacientes que estiveram em contato com vítimas, então, temos que dar entrada no centro de internação para supervisioná-los mesmo quando entram com uma boa saúde. Contudo, eles acabam morrendo lá, o que agrava a desconfiança”, acrescenta.
Nesta quinta, a OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou que o surto de ebola no continente africano já matou mais de 2.600 pessoas e que 700 novos casos foram descobertos nesta última semana, elevando para 5.300 o número de infectados pelo vírus.
Efe
Infográfico mostra como epidemia se espalha no oeste africano

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