Áustria quer dissuadir candidatos à jihad
Joëlle Stolz - Le MondeA Áustria quer endurecer sua legislação para dissuadir os candidatos à jihad. Segundo as autoridades, 142 pessoas deixaram o país com destino à Síria, ao Iraque ou ao Afeganistão. Cerca de 20 delas teriam morrido. Ainda que esses números sejam baixos comparados com os de Bélgica e França, em relação a uma população de 8 milhões de habitantes são bem mais elevados do que na Alemanha. O assunto vem ocupando há semanas as manchetes dos jornais austríacos, e no domingo (14) foi tema de um debate na TV.
No dia seguinte, os três principais ministros conservadores do governo de coalizão com os socialdemocratas anunciaram uma série de medidas preventivas e repressivas, bem como a realização de uma "cúpula contra o ódio e a incitação ao ódio", em outubro. O terrorismo jihadista "não é islamismo", afirmou Johanna Mikl-Leitner, a ministra do Interior, para tranquilizar a comunidade muçulmana, composta por 540 mil pessoas, que lamenta as agressões às mulheres que usam véu em Viena.
O crime de incitação ao ódio passará a ser configurado por declarações feitas diante de dez pessoas, no lugar das atuais 150. As insígnias e emblemas de 19 organizações terroristas, a começar pelo Estado Islâmico (EI) e pela Al-Qaeda, devem ser proibidos, como as insígnias nazistas já o são.
Os jihadistas ficam sujeitos a perder seu status de requerentes de asilo ou sua nacionalidade austríaca em caso de dupla cidadania. Por fim, os menores de idade não poderão mais sair do território da União Europeia sem autorização de seus pais.
O drama de Sabina e Samira
A Áustria foi abalada pelo drama de duas adolescentes de origem bósnia --Samira, 16, e Sabina, 15-- que desapareceram em abril, depois de anunciarem que estavam se juntando à jihad. As fotos dessas belas meninas sorridentes chocaram. Foram encontrados depois vestígios das duas na internet, onde elas aparecem de véu integral tentando recrutar combatentes.Sabina teria sido morta no norte da Síria, algo que as autoridades austríacas não puderam confirmar. Duas outras jovens, de 14 e 15 anos, foram paradas pela polícia no sábado (6), enquanto tentavam fugir para a Turquia para chegar até a Síria. Em agosto, dez jovens rapazes, todos beneficiários do direito de asilo na Áustria, foram apreendidos, suspeitos de serem candidatos à jihad.
O fato de a Áustria ter concedido asilo a cerca de 30 mil tchetchenos que fugiam da guerra no Cáucaso pode explicar o volume da corrente jihadista. "Mas é preciso também parar para pensar no que não está funcionando em nosso país, para que não vejamos cada vez mais austríacos sem nenhuma ascendência imigrante se deixando seduzir pela jihad", observa Thomas Schmidinger, especialista em culturas muçulmanas na Universidade de Viena e fundador de uma rede de ajuda aos jovens suscetíveis a esse discurso.
"As conquistas locais são um fator de atração determinante", e é por isso que se deve atacar militarmente o EI, "que é um fascismo", ele disse ao "Le Monde".
"Mas a Alemanha e a Áustria nunca teriam se livrado do nazismo simplesmente com a vitória das tropas aliadas, sem ter um plano Marshall por trás."
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