Gérard Lemarquis - Le Monde
A Islândia de 2014, com um índice de desemprego de 3%, recuperou sua confiança e está tentando esquecer o colapso de seus bancos em 2008. A construção de hotéis, impulsionada por um turismo em plena expansão, trouxe inúmeras gruas de volta para o céu de Reykjavík.
Mas os islandeses que haviam se candidatado a empréstimos indexados com a inflação voltaram a se ver superendividados do dia para a noite quando a coroa islandesa perdeu metade de seu valor. É verdade que o governo de esquerda, no poder até 2013, havia limitado as dívidas sobre bens imobiliários em 115% de seu valor de mercado, mas o descontentamento continuava grande.
A promessa de um cancelamento parcial dessas dívidas contribuiu bastante para a vitória dos centristas nas eleições de abril de 2013. Essa deve ter sido "a maior medida tomada no mundo inteiro a favor da população", segundo o primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson.

A
sala de concertos Harpa, inaugurada em Reykjavik em maio de 2011, é uma
estrutura geométrica impressionante que lembra uma joia na orla - Hazel Thompson/The New York Times)
Bancos ou fundos especulativos estrangeiros
Ela seria financiada com uma sobretaxação dos bancos e dos ativos dos estabelecimentos financeiros liquidados em 2008. O novo governo teria uma situação favorável, pois fora o Landsbankinn, nacionalizado, os bancos ou fundos especulativos credores de parte da dívida, são estrangeiros: Burlington Loan Management Limited (4,16%), The Royal Bank of Scotland (3,84%), Goldman Sachs (1,95%), Crédit Agricole (1,71%) etc.As medidas prometidas foram implementadas no dia 1º de julho de 2014: 69 mil famílias, ou seja, mais da metade da população, entraram com um pedido junto a seus bancos para obter uma redução de suas dívidas.
Analisar caso por caso levará tempo, mas os islandeses verão suas contas diminuírem já antes do Natal, pois o governo também autorizou que eles utilizem, sem pagar impostos e independentemente da idade, a poupança que a maior parte deles mantém para ter uma aposentadoria complementar depois dos 60 anos.
Otimismo
Mas os devedores estrangeiros, como era de se esperar, não quiseram ser tosquiados. Então, os bancos serão modestamente tributados: 0,376% do montante dos ativos ou das dívidas (no caso dos órgãos de liquidação) para além de 350 milhões de euros. Portanto, é o orçamento do Estado, ou seja, o contribuinte, que financiará o desendividamento, por um montante total que continua desconhecido.Os economistas acreditam que os islandeses aproveitarão para se endividarem um pouco mais, pois o clima é de otimismo nesse país que voltou a crescer. Eles também reconhecem que a operação é original: ela não se baseia em um tratamento social do endividamento, em uma limitação das dívidas nem em uma intervenção sobre as taxas.
Trata-se, na verdade, de um calote parcial, como o dos países em dificuldades. Mas alguns especialistas temem que essas medidas tragam de volta a inflação. Outros questionam a equidade de uma operação que recompensa as "cigarras" e pune as "formigas."
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