Recordes de demissões na indústria paulista
Segundo a Fiesp, setor demitiu 15 mil trabalhadores em agosto
OESP
As 15 mil demissões na indústria paulista em agosto,
informadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),
não são apenas um recorde desde 2009, ano em que o Produto Interno
Bruto (PIB) caiu 0,3% e a produção industrial diminuiu 7,1%. Elas
parecem consolidar uma tendência. O emprego industrial em São Paulo cai
há quatro meses consecutivos. Em maio, houve 12,5 mil demissões, as
maiores desde maio de 2006, quando a pesquisa começou a ser feita. Em
junho, foram 16,5 mil demissões, outro recorde; e, em julho, foram
cortadas 15,5 mil vagas.
Como houve um saldo positivo de janeiro a abril, as demissões neste ano
se limitaram, até agosto, a 31,5 mil, mas o diretor do Departamento de
Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, teme que o
corte de vagas em 2014 supere 100 mil. Pode até ser uma estimativa
otimista, pois entre agosto de 2013 e agosto de 2014 foram dispensados
108 mil trabalhadores.
Os setores que mais demitiram em agosto foram máquinas e equipamentos,
veículos automotores, reboques e carrocerias e produtos de metal. Ou
seja, foram mais atingidos os empregados das indústrias de bens de
capital, além do setor automobilístico. Mas os cortes foram expressivos
também na indústria de produtos alimentícios, confecções e têxteis e
equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos. Isso mostra
que o ônus da inflação sobre o poder aquisitivo dos consumidores finais
afetou até a compra de alimentos e roupas.
Em 22 setores analisados, apenas 5 contrataram mais: produtos de
minerais não metálicos (louças e cerâmicas); outros equipamentos de
transporte (exceto veículos e automotores); celulose, papel e produtos
de papel; impressão e reprodução de gravações; e produtos farmoquímicos e
farmacêuticos.
A indústria de São Paulo gera cerca de 2,6 milhões de vagas e tem uma
participação de 35% na produção industrial do País. Seu peso na
indústria nacional é tão grande que, em momentos favoráveis, ajuda a
equilibrar o PIB industrial, como evidenciam dados do IBGE. Da mesma
forma, o impacto de seus cortes de pessoal não se limita ao Estado, eles
afetam a indústria brasileira.
O emprego industrial é, em geral, melhor que o dos demais setores, dada a
qualificação exigida do pessoal. Por causa dessa qualificação, a
indústria procura preservar seus quadros. Mas sua resistência às
demissões pode ter alcançado o limite, tal o efeito da recessão sobre
ela.
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