Rio vai fechar 2011 com US$ 20 bi em grandes investimentos
Governo do estado negocia novo polo automotivo e tecnológico
Bruno Rosa - O Globo
RIO - O Estado do Rio vai fechar 2011 com contratos que somam cerca de US$ 20 bilhões para receber novas fábricas de setores como alimentos, naval, petróleo, automobilístico, entre outros. O montante é cerca de 50% maior que o do ano passado, tendo como base dados da Firjan.
Apesar da crise global, o Rio de Janeiro vem gerando mais emprego (superando São Paulo) e atraindo com força diversas fábricas. O estado quer se transformar em novo polo automotivo e tecnológico. De acordo com Julio Bueno, secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviço do Rio, há negociações em curso com a Volkswagen, a BMW, a JAC e mais uma empresa europeia. Independentemente da escolha, Seropédica, município localizado na Região Metropolitana do Rio, irá sediar fábrica de uma montadora automotiva.
Já Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, está na disputa para receber uma fábrica da chinesa Foxconn que irá fabricar iPads, os tablets da americana Apple. O espaço, de pouco mais de 2 milhões de metros quadrados, foi oferecido pelo Governo do Estado do Rio, através da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio (Codin), que faz parte da secretaria.
Apesar da importância dos royalties do petróleo para a economia do Estado, o Rio vem investindo pesado na atração de montadoras, tida como a "base" da indústria de transformação. O Estado do Rio produz hoje cerca de 220 mil veículos por ano e emprega cerca de 15 mil pessoas. Nos próximos dez anos, a meta, segundo Julio Bueno, é produzir cerca de 900 mil automóveis e gerar cem mil empregos. Para esse cálculo foram utilizadas três plantas. Hoje, a PSA, que está em ampliação, e irá dobrar a produção, que passará de 150 mil para 300 mil carros por ano. A Nissan, que irá produzir 200 mil carros no primeiro momento, mas irá fabricar 400 mil carros em um segundo momento. Além disso, há a MAN, de caminhões, com as outras 200 mil unidades. São Paulo, por exemplo, produz dois milhões de carros e gera 220 mil empregos.— Estamos prospectando todas as montadoras, incluindo a Volks. Estamos entregando material. Se alguma vier, será para Seropédica. Se o Rio ganhar mais uma montadora, muda de patamar como indústria de transformação. E, assim, ganhamos um vetor importante de desenvolvimento — disse Bueno, em evento realizado nesta quarta-feira no Centro do Rio.
Segundo Bueno, as montadoras estão vindo para o Brasil devido ao crescimento do mercado brasileiro. Até 2018, o mercado nacional irá apresentar um crescimento expressivo, passando dos atuais 3,5 milhões de unidades vendidas por ano para 5 milhões de carros.
Uma nova fase para a indústria naval
Além do setor automotivo, Bueno destacou os trabalhos na indústria naval. Segundo ele, o setor passará agora por uma nova fase, que é a produção de peças para os navios. Atualmente, o Rio se destaca na construção de cascos de navio. Em 2011, por exemplo, foram vários investimentos: Estaleiro Inhaúma investiu US$ 200 milhões em reformas, o Aliança quase dobrou de tamanho, com US$ 100 milhões, e o OSX conta com recursos entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões.
— A indústria precisa passar por uma nova fase. Estamos nos estruturando para deixar o Rio atraente. Já separamos uma espaço de cerca de 500 mil metros quadrados para abrigar empresas de navipeças (produção de peças para os navios) entre Magé e Caxias. Vamos conceder incentivos. A conversa será feita com a Transpetro — adiantou o secretário.
Cabo Frio irá ganhar distrito industrial para petróleo e tecnologia
Também estão sendo criados três novos distritos industrias no Rio. Para 2012, um dos distritos terá área de quatro milhões de metros quadrados e ficará entre Arraial do Cabo e Cabo Frio, em uma área próxima ao aeroporto de Cabo Frio. A ideia é atrair empresas de petróleo e tecnologia para o local.
Há ainda o Distrito de Bom Jesus, em área ao lado do Parque Tecnológico do Fundão, na Ilha do Governador, e o de São João da Barra, criado devido ao Superporto de Açu, do empresário Eike Batista. Em São João da Barra, já há a Hyundai (com investimentos de US$ 150 milhões), a NKT, de tubos flexíveis (com investimentos de US$ 100 milhões) e um protocolo de intenções para a instalação da GE Óleo & Gas.
Bueno disse ainda que irá propor ao governador Sérgio Cabral já em janeiro mudança na lei 5.636, que prevê incentivos a projetos industriais nos 39 municípios do estado do Rio.
— Queremos que o incentivo concedido a empresas (como redução de ICMS) no Rio seja limitado ao tamanho das companhias — disse Buen
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