quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

COVIL DE LADRÕES

DF: pivô de crise no Esporte detalha corrupção no governo
Preso na quarta-feira, depois de causar tumulto no Palácio do Buriti, João Dias disse à Polícia que secretário de Agnelo recebeu dinheiro em troca de nomeações
Hugo Marques e Gabriel Castro - VEJA
Responsável por trazer à tona o esquema de corrupção que culminou na demissão de Orlando Silva do Ministério do Esporte, o policial militar João Dias Ferreira prestou depoimento na quarta-feira, pouco após ser preso no Palácio do Buriti. Além da Polícia Civil, onde depôs, o PM também foi ouvido pela Polícia Militar. E revelou boa parte do que sabe sobre o esquema de propina envolvendo autoridades do governo do Distrito Federal. As declarações atingem em cheio o homem forte de Agnelo Queiroz, Paulo Tadeu. E envolvem até mesmo um personagem ligado ao Mensalão do DEM na capital.
Ao ser preso, Dias tentava devolver 200.000 reais que, segundo ele, lhe foram oferecidos por duas pessoas ligadas a Paulo Tadeu: Ricardo, irmão do secretário, e Paula, chefe de gabinete do petista. O dinheiro seria uma espécie de "cala-boca”. O delator também contou em detalhes o esquema de arrecadação de dinheiro para o caixa dois da eleição do ano passado. Até agora, Dias poupava de suas denúncias o governo do Distrito Federal. A blindagem parece ter acabado. VEJA teve acesso, em primeira mão, aos dois depoimentos de João Dias.
Segundo o policial militar, o atual secretário de Governo, Paulo Tadeu (PT) fez um acordo com um doleiro e o policial civil aposentado Marcelo Toledo, personagem do Mensalão do DEM na capital. Pelo acerto, o doleiro faria as nomeações na empresa pública DF Trans e no BRB Seguros, companhia do Banco estatal de Brasília. Como parte do acordo, diz João Dias, Tadeu recebeu 500 000 reais no edifício Garvey Park Hotel, no centro de Brasília, durante a campanha eleitoral de 2010. O coronel Rogério Leão, chefe da Casa Militar do governador Agnelo Queiroz, teria testemunhado o episódio. O acerto não teria sido cumprido e resultou em um episódio no qual os grupos do doleiro e do governo de Agnelo se encontraram em uma padaria e quase trocaram tiros.
De acordo com o PM, foi proposto então um segundo acordo ao deputado Paulo Tadeu, para que a parte descontente controlasse a troca da iluminação pública do DF por lâmpadas de LED, no valor de 1,3 bilhão de reais, e a construção de garagens subterrâneas no centro em sete pontos de Brasília, um contrato de 350 milhões de reais. O policial contou que o grupo do governo local ofereceu um acerto com o doleiro, já que o governo de Agnelo já tinha indicado outras pessoas para as diretorias do BRB.
Compra de testemunha - João Dias diz que no último domingo recebeu em sua casa uma comitiva em nome do secretário Paulo Tadeu, dentre os quais um delegado da Polícia Civil, um coronel da Polícia Militar, um membro da família do próprio secretário e uma mulher. A comitiva, diz ele, ofereceu 200 000 reais em espécie “para não detonar o governo do Distrito Federal”.
Segundo João Dias, o coronel Leão também participou de um plano envolvendo uma das testemunhas que prestaram depoimento contra o governador Agnelo, Daniel Tavares. Ele conta ter recebido 250.000 reais do chefe da Casa Militar, dinheiro que deveria ser passado a Tavares. Paulo Tadeu também é mencionado como operador da coação. A versão de João Dias vai ao encontro do que a uma acusação feita pela oposição a Agnelo há um mês: a de que o coronel Leão intermediou a mudança de depoimento de Tavares, que acusava o governador de ter recebido propina mas depois voltou atrás.
João diz que não aceitou a proposta de dinheiro, mas relata que na manhã de segunda-feira avistou dentro de sua casa uma pasta de nylon verde com o montante, “levando a crer que o dinheiro havia sido deixado ali pela tal comitiva”. Foi a partir desse encontrou que João Dias diz ter decidido ir até o Palácio do Buriti para devolver o dinheiro. Ele teria tentado entrar no gabinete do secretário de Governo Paulo Tadeu (PT) e jogado dinheiro sobre a mesa. Em nota, a secretaria informou que o policial agrediu duas servidoras e teve que ser contido por seguranças.
Durante a confusão, João Dias ofendeu a chefe de gabinete de Paulo Tadeu e deverá ser indiciado por injúria racial.
O site de VEJA entrou em contato com a assessoria de comunicão do governo do Distrito Federal e ainda aguarda uma resposta sobre as denúncias.

Um comentário:

Anônimo disse...

Em menos de 2 anos, foram mais de 2.000 obras. E agora, o que tem? O Roriz armou a arapuca e quem dançou de verdade foi o povo. Se o Arruda voltar, tô com ele e não abro!