sábado, 17 de dezembro de 2011

A CRÔNICA DA MORTE ANUNCIADA I: TODO COMEÇO DE ANO É A MESMA COISA!

Mercadante agora diz fazer ‘tudo’ contra tragédias
Centro Nacional de Monitoramento começa a funcionar 24 horas; mapeamento das áreas de risco não está pronto
Catarina Alencastro/Thiago Herdy - O Globo
BRASÍLIA e BELO HORIZONTE - Um dia depois de anunciar que não seria possível evitar mortes de pessoas em função das chuvas, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, amenizou seu discurso. Disse que está fazendo "tudo" para evitar mortes por deslizamentos e inundações. A partir deste sábado, uma equipe de especialistas começa a trabalhar em regime de plantão 24 horas no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), cuja criação fora anunciada em janeiro. Durante todo o ano, cinco profissionais se dedicavam ao sistema, mas desde o início de dezembro o contingente subiu para 20 - todos bolsistas que trabalhavam apenas no período diurno.
O ministro Aloizio Mercadante admite atraso no mapeamento de áreas de risco - apenas 56 cidades, de 251 consideradas críticas, estão prontas - , mas aponta que muitas vidas foram salvas graças ao trabalho que já vem sendo feito.
- Nós estamos fazendo tudo para diminuir ao máximo (as mortes). Em Santa Catarina, desalojamos 200 mil pessoas, gente que batemos na porta de casa e dissemos: "sai, se não você vai morrer." E não morreram. Comparando com o que aconteceu em 2008, poderíamos ter centenas de mortes em Santa Catarina. Não tivemos. O Rio teve fortes chuvas em abril, e o sistema funcionou. Houve deslizamento e não morreu ninguém. Então, não é que nós vamos salvar, nós estamos salvando. E, se fosse para fazer tudo isso e salvar uma vida, já valia a pena - afirmou Mercadante.
Segundo o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do ministério, Carlos Nobre, quando o sistema estiver em pleno funcionamento, as mortes poderão ser reduzidas em até 80%. O governo não sabe dizer quando isso acontecerá. Na Região Serrana do Rio, dois radares já estão vigiando o que acontece no clima e alertando a população. Caso o volume de chuvas que caiu no local no início do ano, quando deslizamentos mataram mais de 600 pessoas, volte a acontecer, dificilmente o desfecho será o mesmo, aponta Nobre:
- Se tiver um evento de muita chuva, hoje, com esse sistema, pelo fato de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e vários outros municípios próximos já estarem dentro do sistema, diria que seria muito improvável uma repetição.
Embora já tenha havido a integração do sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de observação por satélite e radares ao do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apenas 31 cidades com risco de desastres climáticos são cobertas por radares. A promessa para o próximo ano é instalar mais quatro radares, que cobririam 90% das áreas de risco, e 2.800 pluviômetros (aparelhos que medem a quantidade de chuva) em todo o país. Destes, 1.300 serão instalados em comunidades localizadas em morros e encostas e, portanto, mais suscetíveis de sofrer consequências trágicas das fortes chuvas. A capital do Rio deverá receber vários desses equipamentos, mas os locais ainda não foram definidos.
Mercadante disse que uma das razões para o atraso do governo em organizar a rede de alerta e monitoramento é o aumento rápido da severidade das tormentas no país. Outro fator é que o trabalho de mapeamento das áreas de risco é lento e difícil, o que é agravado pela ausência de geólogos no Brasil.
- O Brasil está atrasado historicamente nessa agenda. Está atrasado porque nós não tínhamos a intensidade das mortes e a gravidade das ocorrências que temos tido nesse período recente - apontou Mercadante.

Do Blog:
O plano dessa toupeira só vai funcionar se não chover.   

Nenhum comentário: