sábado, 10 de dezembro de 2011

RÚSSIA

Protestos contra fraudes eleitorais tomam ruas de toda a Rússia
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Cumprindo a promessa feita ontem (9), manifestantes russos começaram a lotar as ruas de diversas cidades do país neste sábado em atos contra as fraudes eleitorais que deram a vitória ao partido do premiê Vladimir Putin no último pleito Parlamentar. Os protestos, que devem ser os maiores dos últimos 20 anos, chegam no mesmo dia em que o governo confirmou os 49% dos votos à legenda Rússia Unida.
De acordo com fontes policiais, o número de manifestantes na praça Bolotnayam em Moscou, chegou a 20 mil pouco antes das 15h locais (9h de Brasília).
Um dos líderes do movimento opositor Solidarnost, Ilia Ponomarev, citado pela agência Interfax, afirmou, no entanto que 40 mil pessoas se encontravam no local, e que outras 10.000 estavam a caminho.
Embora a legislação russa permita reuniões de no máximo 30 mil pessoas e o governo tenha dado autorização para somente um protesto de cerca de 300 pessoas na praça Revolução, em frente ao Kremlin, a manhã de sábado mostrou que os manifestantes pretendem levar um número elevado de pessoas às ruas do país. 
Ao menos mil protestam em Vladivostok, na costa do Pacífico, e em Khabarovsk, na fronteira com a China, a polícia prendeu 20 manifestantes. Segundo a emissora britânica BBC milhares já saíram às ruas na capital, às margens do rio Moscou, e a agência Associated Press diz que mais de 70 cidades devem abrigar protestos.
Até o meio-dia de sexta-feira (hora local), 60 mil russos haviam manifestado pelas redes sociais Facebook e VKontakte a sua intenção de comparecer.
A eleição parlamentar de domingo, em que o partido governista Rússia Unida viu sua bancada encolher em 77 deputados, embora mantendo uma ligeira maioria no Parlamento, sinalizou um crescente descontentamento contra os 12 anos de hegemonia política de Putin no maior país do mundo.
Durante a semana, o partido Rússia Unida negou as fraudes e acusou os Estados Unidos de incitarem a agitação popular. Centenas foram presos pela polícia durante a repressão a protestos logo após o término das eleições.
RESULTADOS
O Diário Oficial russo publica neste sábado os resultados oficiais das eleições legislativas de 4 de dezembro, que confirmam a vitória do partido governista, Rússia Unida, com 49,32% dos voto.
Segundo os resultados publicados pelo "Rossiiskaia Gazeta", o partido do primeiro-ministro Vladimir Putin terá a maioria absoluta de 238 cadeiras, de um total de 450, na Duma (Câmara Baixa).
Os resultados apontam 92 deputados ao Partido Comunista (19,19% dos votos), 64 ao Partido Rússia Justa (centro-esquerda, 13,24%), e 56 ao Partido Liberal Democrata (nacionalista, 11,67%).
O partido de oposição liberal Iabloko, com 3,43% dos votos, não estará representado na Duma.
De acordo com os resultados oficiais, a participação foi de 60,21%.
A missão de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) anunciou ter constatado muitas irregularidades na votação. A oposição programou uma grande manifestação em Moscou para este sábado para denunciar fraudes.
O site da ONG "Observador cidadão" (nabludatel.org), afirma que os resultados reais das legislativas dariam ao Rússia Unida quase 20 pontos a menos, com uma participação real de pouco mais de 50%.
TURBULÊNCIA
Na segunda-feira, a oposição realizou seu maior protesto dos últimos anos em Moscou. A tensão política assustou os investidores, por prenunciar uma fase de instabilidade na Rússia até a eleição presidencial de 2012, em que Putin é favorito.
Ele já foi presidente de 2000 a 2008, quando passou o cargo para seu afilhado político Dmitri Medvedev. Desde então, ele atua como primeiro-ministro, mas continua sendo o político mais poderoso do país.
O declínio no apoio ao Rússia Unida, partido de Putin, indicou a frustração de grande parte do eleitorado com a corrupção, as disparidades sociais e o medo de uma estagnação econômica.
A oposição diz que o resultado negativo para o partido governista na verdade esconde uma derrota ainda maior, pois há suspeitas de fraude generalizada --incluindo a colocação de votos falsos em urnas.
As queixas sobre fraudes se espalham na internet junto com a convocação para os protestos.
Os Estados Unidos exortaram nesta sexta-feira as autoridades russas e os manifestantes a manter a calma.
A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, disse que seu país sempre apoiou o direito aos protestos pacíficos na Rússia, como faz "em qualquer outro lugar do mundo".
"Esperamos que estes protestos mantenham o tom pacífico, tanto de parte dos manifestantes como por aqueles encarregados a manter a ordem social".
"Nossa expectativa é que se há protestos, que sejam pacíficos e que transcorram pacificamente".

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