quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

RÚSSIA

Gorbachev pede anulação da eleição e sugere novo pleito
Número de presos desde o início dos protestos no país chega a 1.000
VEJA
O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev pediu nesta quarta-feira às autoridades russas que anulem os resultados das eleições parlamentares de domingo e convoquem um novo pleito. O país enfrenta uma crise há dois dias desde que as denúncias de fraudes nas eleições motivaram protestos que acabaram em centenas de prisões. Calcula-se que desde o início das manifestações o número de presos chegue a 1.000 em toda a Rússia.
"Os dirigentes do país devem admitir a ocorrência de inúmeras falsificações e fraudes, e que os resultados não refletem a vontade dos eleitores", disse Gorbachev à agência Interfax. "Por isso, considero que as atuais autoridades devem adotar uma só decisão: anular os resultados das eleições e celebrar novas", acrescentou.
Para o ex-líder soviético, "a cada dia que passa cresce o número de russos que consideram que os resultados do pleito não foram limpos". "Da minha maneira de ver, fazer caso omisso da opinião pública mina o prestígio da autoridade e desestabiliza a situação", declarou Gorbachev.
Contexto - As declarações do político, cujas reformas mudaram o mundo no último quarto do século 20, ocorrem após dois dias de protestos populares em várias cidades da Rússia. Os manifestantes denunciam que as eleições foram fraudulentas para favorecer à Rússia Unida (RU), o partido do primeiro-ministro Vladimir Putin. Pelos dados oficiais, apurado 99,9% dos votos, a RU obteve 49,3% das cédulas, o que representa 238 dos 450 cadeiras da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo.
Todas as alas da oposição foram unânimes ao denunciar graves irregularidades no pleito de domingo. Gennady Zyuganov, o líder do Partido Comunista, a segunda legenda mais votada, denunciou que os resultados do pleito foram falsificados para favorecer o governo. Para ele, o governo atribuiu a si próprio até 15% a mais de votos do que realmente obteve nas urnas.
(Com agência EFE)

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