quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

SE A EUROPA FRACASSAR, O BRASIL ENTRARÁ NA ESPIRAL DA CRISE

Rachados, líderes europeus abrem cúpula
Começa hoje na Bélgica reunião da UE para tentar salvar o euro, mas divergências entre líderes têm aumentado
Após ameaçar rebaixar nota de 15 dos 17 países da zona do euro, S&P faz o mesmo alerta sobre União Europeia
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
É sob clima pessimista e de muitas indefinições que os líderes europeus começam na noite de hoje um encontro de dois dias que promete ser decisivo para o futuro do bloco.
Ao contrário das reuniões anteriores, os líderes das duas principais economias do continente, Angela Merkel (Alemanha) e Nicolas Sarkozy (França), chegam com discurso mais afinado, mas que não necessariamente será suficiente para pôr fim aos temores do mercado sobre calotes vindos da Europa.
Os dois divulgaram carta a Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, em que defendem, entre outras medidas, sanções automáticas para os países que não respeitarem as regras de controle orçamentário.
A regra exige que o deficit não ultrapasse 3% do PIB e a dívida não supere 60% do mesmo indicador.
"Esses passos precisam ser dados já, sem atraso. Consideramos isso uma questão de necessidade, credibilidade e confiança no futuro da União Econômica e Monetária", afirmam Merkel e Sarkozy.
Eles apoiam ainda que a Corte Europeia de Justiça monitore se os países estão seguindo as regras orçamentárias e reuniões regulares de chefes de Estado.
Também querem a "aceleração do progresso" para o sistema de tributação de base comum consolidada para as empresas da região.
A pressa dos dois -reiterada por Sarkozy, que afirmou a deputados franceses que a UE corre o risco de "explosão" se a proposta deles não for aprovada-, porém, tem vários obstáculos. 
O mais importante é que mudanças nos tratados europeus precisam da aprovação dos 27 membros da UE, inclusive dos dez que não usam o euro como moeda.
O Reino Unido é um dos dez, e o primeiro-ministro David Cameron já disse que vai proteger o setor financeiro britânico das medidas que podem sair do encontro de líderes em Bruxelas, como a taxação sobre transações.
"Quanto mais os países da zona do euro pedirem, mais nós vamos pedir em retorno."
A aprovação por todos os países também deve atrasar uma solução. Mesmo se ficar restrita aos 17 países da zona do euro, precisa da sanção dos Parlamentos e em alguns casos (da Irlanda, por exemplo) também da aprovação de referendo popular.
De acordo com o "Financial Times", a Alemanha quer o apoio dos 27 países, como uma forma de dar legitimidade às mudanças.
Há dúvidas também se as medidas serão suficientes para acalmar os mercados.
A antecipação para o ano que vem de um fundo de resgate de € 500 bilhões que deveria entrar em vigor em 2013 parece ter sido descartada, e um maior papel do BCE (Banco Central Europeu) tem a oposição alemã.
Para piorar a situação, a Standard & Poor's, que dois dias antes havia ameaçado rebaixar a nota de 15 dos 17 países da zona do euro, disse ontem que pode rebaixar a nota da União Europeia.
Colocou sob "perspectiva negativa" também a nota de bancos como BNP Paribas e Barclays e de cidades como Milão, Paris e Barcelona.

Sem solução para o euro, resgate pode extrapolar possibilidade de ação política
FINANCIAL TIMES
Repetidas vezes nos últimos 18 meses os líderes europeus prometeram fazer "o que for preciso" para preservar a moeda única. Com frequência igual suas ações subsequentes -ou sua ausência de ações- desmentiram essas belas promessas.
Parece quase histeria dizer que restam horas para salvar o euro, mas existe o risco de que, se a crise não for dominada agora, o preço do resgate comece a fugir das possibilidades de ação dos políticos.
Os trunfos em jogo na cúpula de amanhã são altíssimos. O mundo não pode se dar ao luxo de mais uma solução pela metade.
Os governos europeus solaparam sua credibilidade tão gravemente que a única maneira de os mercados recuperarem a confiança é colocar dinheiro sobre a mesa. A maneira mais simples seria usar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira até o máximo, mas já se receia que o fundo não seja capaz de levantar dinheiro suficiente.
A declaração dada nesta semana pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi um começo pouco promissor. O que eles apresentaram foi pouco mais que um plano de estabilidade reforçado, baseado num diagnóstico equivocado da crise.
Um plano politicamente sustentável precisa de abordagem mais imaginativa, que ofereça a esperança de reequilibrar a situação na zona do euro, e não apenas um panorama de austeridade. Também requer contribuições de todos os países da zona do euro, não só de Alemanha e França.
A união monetária só vai poder sobreviver se todos os membros assim quiserem. E o seu fim seria avassalador para credores e devedores.
Tradução de CLARA ALLAIN

Fracasso europeu não poupa Brasil
Um eventual fracasso em salvar a Europa de uma recessão violenta deve prejudicar o Brasil principalmente pelo canal das exportações. Além de uma queda brusca na demanda, os exportadores enfrentariam dificuldades para financiar suas operações, com restrições na oferta de crédito e juros mais altos.

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