segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SOCIALISMO É BOM NO BUMBUM DOS OUTROS

Médico revela que ditador falava francês e era fã de vinhos
Neurocirurgião francês cuidou de Jong-il após um derrame em 2008
AP- O Globo
PARIS - Se o anúncio da morte demorou dois dias para se tornar público, os detalhes das condições de saúde do ditador norte-coreano, Kim Jong-il, começaram a emergir rapidamente nesta segunda-feira. Segundo o neurocirurgião francês François-Xavier Roux, o "querido líder" sofreu um derrame há pouco mais de três anos e, desde então, vinha recebendo um tratamento secreto.
Roux, chefe do departamento de neurocirurgia do Hospital Saint Anne, em Paris, contou ter sido chamado às pressas para uma viagem à Coreia do Norte em agosto de 2008 para examinar o ditador, então inconsciente e "em mau estado" na unidade de terapia intensiva do Hospital da Cruz Vermelha em Pyongyang.
Ele desembarcou na capital comunista acompanhado de uma equipe de outros profissionais franceses. Levado imediatamente ao hospital, recebeu uma pilha de fichas de pacientes variados, sobre os quais lhe era pedido um diagnóstico e recomendações de tratamento. Roux recorda que a maioria era vítima de problemas simples. Um registro, no entanto, chamou-lhe a atenção. Ele insistiu para saber quem era aquele doente anônimo. E somente após horas de consultas dos colegas norte-coreanos, soube quem era o paciente ilustre.
- Quando me chamaram em 2008, eu não tinha ideia de quem ia ver lá. Eles não dizem. É tudo muito secreto - revelou o médico. - Ele estava muito mal, em coma. Minha tarefa era tentar salvá-lo daquele estado crítico através de aconselhamento a outros médicos. Ele corria risco de vida.
O primeiro contato, no entanto, ocorrera anos antes, em 1993, quando o francês fora contatado por funcionários do governo norte-coreano para uma consulta telefônica depois que Kim sofreu o que chamavam de "um pequeno ferimento na cabeça após cair do cavalo". Roux garante que não tem a menor ideia de como fora localizado pelos norte-coreanos ou porque fora escolhido.
Alegando questões de ética profissional, ele não dá detalhes de como tratou do paciente. Mas garante que, dez dias depois, quando retornou à França, Kim estava consciente e falando.
Roux retornou a Pyongyang outras duas vezes, em setembro e outubro daquele ano para fazer um acompanhamento. Segundo o médico, assim que recobrou a consciência, o ditador se mostrou muito preocupado. Ele emagreceu um pouco e sofria algumas sequelas. Queria saber de tudo, se poderia viver normalmente, se poderia caminhar e trabalhar.
- Ele fazia perguntas muito lógicas para quem sofreu um derrame grave - minimizou.
Somente a família mais próxima sabia da doença, e o filho e herdeiro Kim Jong-un visitava o leito do pai frequentemente. Eles nunca se falaram. Aparentemente, arrisca o cirurgião, o regime procurou um médico estrangeiro por não estar "emocionalmente envolvido" com o paciente. Apesar de trabalhar em conjunto com médicos locais, as decisões finais sobre o tratamento cabiam a Roux.
- Meus colegas coreanos ficavam perturbados por tomar decisões sobre o líder deles - disse ele, que falava um misto de inglês e francês com os colegas.
Outra revelação considerada surpreendente é a de que o líder do regime mais fechado do mundo parecia um "profundo francófilo":
- Ele queria estabelecer relações políticas com a França e não escondia isso. Também conhecia bem o cinema francês. Fiquei muito surpreso. Ele conhecia vihos franceses muito bem. Ficávamos falando sobre as diferenças entre Bourgogne e Bordeaux.

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