quarta-feira, 28 de março de 2012

O OCASO DE UM SENADOR - A MALDIÇÃO DO NOME CONTINUA. AQUELE DA GRÉCIA ANTIGA COMETEU SUÍCIDIO...

Procurador da República vai investigar senador do DEM
Gurgel diz ver indício de crime na relação de Demóstenes com empresário do jogo
Congressista, que afirma sofrer 'ataques à honra', abandonou ontem posto de líder de seu partido no Senado
GABRIELA GUERREIRO/FELIPE SELIGMAN/SIMONE IGLESIAS -FSP
Prestes a ser investigado no STF (Supremo Tribunal Federal), acuado por seus pares e sem o apoio de seu próprio partido, o senador Demóstenes Torres (GO), um dos principais congressistas da oposição, deixou ontem a liderança do DEM no Senado.
A decisão ocorreu pouco antes de a Procuradoria-Geral da República pedir abertura de inquérito no STF contra ele por ver indícios de crime em suas relações com o empresário Carlos Cachoeira, preso pela Polícia Federal sob acusação de explorar jogos ilegais.
"Considerei grave o suficiente para que houvesse o pedido de instauração de inquérito", disse o procurador-geral Roberto Gurgel.
De acordo com as informações no site do STF, o procurador-geral quer investigar a suposta prática dos crimes de corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa (quando um funcionário público patrocina interesse privado perante a administração). O pedido enviado tem 56 páginas e 16 apensos.
Congressistas foram ontem à Procuradoria cobrar um posicionamento de Gurgel, que disse não ter aberto investigação antes pelo grande volume de material a ser analisado, incluindo dez meses de interceptações telefônicas.
Demóstenes optou por renunciar à liderança por não ter mais condições para conduzir votações. O presidente do partido, senador José Agripino (RN), assumiu seu lugar.
Abatido, Demóstenes passou o dia trancado em seu gabinete e não circulou pelos corredores do Senado.
Ele procurou líderes partidários para pedir apoio político. Disse que espera o julgamento criminal pelo STF, mas fez apelos para evitar a abertura de um processo no Conselho de Ética do Senado -o que poderia acarretar a perda de seu mandato.
O PSOL já anunciou que vai encaminhar representação ao conselho se o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não solicitar formalmente investigações.
Em conversa com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), Demóstenes pediu para ser poupado. Inicialmente ouviu que teria respaldo da bancada, mas perdeu o apoio dos principais aliados depois que o procurador decidiu abrir o inquérito.
O próprio presidente do DEM admitiu a possibilidade de expulsão de Demóstenes ao dizer que a sigla não convive com a "falta de ética".
Outro aliado de Demóstenes, o senador Álvaro Dias (PR), líder do PSDB, também defendeu a apuração alegando que a Casa não pode ter "dois pesos e duas medidas".
Em carta a Sarney, Demóstenes prometeu prestar esclarecimentos, mas se disse vítima de "ataques" à sua honra. Ele prometeu ir à tribuna da Casa para se defender.
Na carta, Demóstenes voltou a pedir que o STF faça "meticulosa investigação" se existir "alguma suspeita" sobre a sua conduta. "Não me escusarei de responder a qualquer questionamento."
A situação do senador se complicou depois que, na semana passada, reportagem do jornal "O Globo" afirmou que ele pediu R$ 3.000 a Cachoeira. Antes, ele já havia admitido ser amigo do empresário, de quem recebeu presentes, além de um celular antigrampo -como a Folha mostrou.
Cerca de 300 ligações entre ele e Cachoeira foram gravadas pela PF. Também são citados na investigação os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Rubens Otoni (PT-GO). A Procuradoria deve abrir inquérito contra eles.

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