sábado, 17 de março de 2012

SENADOR DO DEM CAI NA VALA COMUM ONDE JÁ ESTÃO REUNIDOS OS POLÍTICOS CORRUPTOS PEGOS PELA PF

Senador do DEM pretende pedir anulação das provas
Advogado de Demóstenes alega que ele teve conversas com empresário gravadas sem autorização do STF
LEANDRO COLON/FERNANDO MELLO - FSP
A defesa do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pretende pedir a anulação do material apreendido na Operação Monte Carlo que envolve o político caso ele passe a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República.
O senador foi gravado pela Polícia Federal em conversas com o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na operação no mês passado.
Ele admitiu, por meio de seu advogado, que recebeu de Cachoeira um telefone para conversas entre os dois. O aparelho, segundo a investigação, tem tecnologia antigrampo, quebrada pela PF.
Demóstenes usou o telefone por oito meses em 2011, segundo seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. O advogado defende que todas as gravações feitas no período não poderiam ser usadas como prova mesmo que haja indícios de crime por parte do senador.
Todo o material que envolve Demóstenes e outros políticos do Congresso foi remetido à Procuradoria pela Polícia Federal por conta das regras do foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal.
Caberá ao procurador-geral, Roberto Gurgel, avaliar se há indícios contra os envolvidos para pedir ao STF a abertura de inquérito contra os parlamentares. Gurgel disse que está analisando o caso.
Para o advogado de Demóstenes, se Gurgel entender que há indícios de crime, isso será um reconhecimento de que a PF gravou conversas do senador que só poderiam ser monitoradas com o aval do STF, o que não ocorreu.
Segundo Kakay, caberia ao juiz de primeira instância remeter o caso dele ao Supremo logo nos primeiros dias de escutas, e não agora.
"Se o procurador-geral entender que as conversas têm de ser investigadas, vamos levantar a nulidade porque essas provas foram colhidas de maneira ilícita", disse. A Operação Monte Carlo, deflagrada no mês passado, levou 31 pessoas à prisão por acusação de exploração de máquinas de caça-níquel. Demóstenes alega ser amigo de Carlinhos Cachoeira e diz que não há qualquer indício de ato ilícito nas suas conversas.

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