quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Criticada — vejam só — por ser bonita e elegante demais, a nova primeira-ministra da Dinamarca quer manter o Estado de bem-estar social
Ricardo Setti - VEJA.
Helle-Thorning-Schmidt-primeira-ministra-Dinamarca
Helle Thorning-Schmidt: beleza e elegância foram desvantagem, mas ela chegou lá

Num partido, como o Social Democrata da Dinamarca, tradicionalmente dominado por sindicalistas “duros” e políticos de longa trajetória, que foram galgando postos na máquina ao longo de muitos anos, Helle Thorning-Schmidt, uma licenciada em Ciências Políticdas de 44 anos, bela, alta, loura, olhos de um azul-turquesa luminosos, que não sai de casa sem maquiagem, veste roupas impecáveis e sapatos de saltos altíssimos, sempre foi uma raridade.
Deputada ao Parlamento Europeu entre 1999 e 2004, apenas uma semana depois de se eleger pela primeira vez para o Parlamento da Dinamarca, em 2005, com os social-democratas que criaram o Estado de bem-estar do país já há quatro anos longe do poder, ela se viu guindada à liderança do partido.
Apelido pejorativo
Com as eleições da quinta-feira, 15, que reconduziram os social-democratas ao poder depois de 10 anos de governos liberal-conservadores, Helle Thorning-Schmidt se tornou a primeira mulher a governar a Dinamarca. Como já ocorreu com outras mulheres na política em outros países, mas surpreendente na avançada e tolerante Dinamarca, sua aparência bem cuidada e o gosto por roupas de grife lhe causaram críticas – como já havia ocorrido ao longo de sua carreira no partido, e como se fossem um defeito. Haveria uma suposta inadequação de sua figura com a de líder de um partido que ainda se considera fundamentalmente “operário”. Daí o apelido, algo pejorativo, de “Gucci Helle” ou de “Gucci Vermelha”.
O jornal Politiken, um dos principais do país, disse, em editorial, que Helle venceu apesar de “ser bem vestida demais para os social-democratas, jovem demais para tornar-se chefe de governo e fria demais para ganhar o coração das pessoas”.
Ela em Copenhague, o marido em Genebra
Helle, decididamente, não é convencional. Casou-se, depois de um período de coabitação sem casamento, com um inglês, Stephen Kinnock, filho do ex-líder trabalhista britânico Neil Kinnock, que conheceu em Brüges, na Bélgica, onde ambos faziam mestrado no College of Europe, instituto de altos estudos europeus. O casal tem duas filhas, mas Stephen, formado em diferentes disciplinas em Cambridge e no College of Europe, vive em Genebra, onde é um dos diretores do Fórum Econômico Mundial, e só passa os fins de semana em Copenhague com a família.
Proteger o Estado de bem-estar social
No que realmente importa – o que fará no governo –, a bela Helle, cujo partido, com 89 deputados, ficou a uma cadeira da maioria absoluta num Parlamento de 179 postos, já fez aliança com três pesquenos partidos de esquerda, promete proteger o estado de bem-estar social e incentivar a economia com o aumento de investimentos públicos. Eleita apesar de sua promessa de subir impostos, ela igualmente promete mudar a política de restrição a imigração dos governos conservadores e eliminar os postos de controle de fronteira que, a despeito das normas de livre circulação existentes entre os integrantes da União Europeia, foram estabelecidos este ano.

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