segunda-feira, 12 de setembro de 2011

MURILO MENDES

ESPELHO
O céu investe contra o outro céu.
É terrível pensar que a morte está
Não apenas no fim, mas no princípio
Dos elementos vivos da criação.


Um plano superpõe-se a outro plano,
O mundo se balança entre dois galhos,
Ondas de terror que vão e voltam,
Luz amarga filtrando destes cílios.


Mas quem me vê? Eu mesmo me verei?
Correspondo a um arquétipo ideal.
Signo de futura realidade sou.


A manopla levanta-se pesada,
Atacando a armadura inviolável:
Partiu-se o vidro, incendiou-se o céu.

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