sábado, 10 de setembro de 2011

O SINISTÉRIO DOS TRANSPORTES E A CORRUPÇÃO DO PT

CGU aponta irregularidades em reduto petista


FSP - BRASÍLIA

A auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) nos órgãos do Ministério dos Transportes apontou indícios de graves irregularidades na superintendência do Dnit no Rio Grande do Sul, um reduto do PT.


Segundo a CGU, licitações realizadas entre 2008 e 2009 para obras de conservação de rodovias no Estado, que somam cerca de R$ 710 milhões, têm "indícios de direcionamento e possível alinhamento de preços entre as empresas" concorrentes.


As obras foram divididas em 25 lotes. Segundo a CGU, em apenas dois deles o desconto oferecido pela empresa vencedora da concorrência foi superior a 5%.


Na maior parte dos casos, afirma a CGU, o desconto não passou de 2% do preço máximo. Além disso, a Controladoria-Geral da União constatou que grande parte das empresas participantes tinha sócios comuns entre elas e parentes como associados.


O órgão de controle também encontrou indícios de pagamento indevido de R$ 3,6 milhões em três lotes das obras.


INFLUÊNCIA


O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) no Rio Grande do Sul estava sob influência de Hideraldo Caron, ex-diretor de Infraestrutura Rodoviária do órgão que foi indicado pelo PT.


Caron foi exonerado neste ano, depois que estourou a crise nos Transportes.


O superintendente do Dnit no Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, que já estava na superintendência em 2008, informou que os procedimentos para a licitação foram corretos.


Ele afirmou, ainda, que não tem como evitar que empresas possam combinar preços para obras. "Nossa parte foi feita com correção", disse o superintendente.


Sobre os problemas nas obras, Casa afirmou que é normal auditorias apontarem problemas. Mas disse que "entre 80% e 90% dos problemas são esclarecidos" pelo órgão.


A Folha tentou falar com Caron, sem sucesso. (DIMMI AMORA)


A CRISE



A crise nos Transportes começou em julho deste ano quando a revista "Veja" apontou uma série de irregularidades no ministério comandado na época por Alfredo Nascimento (PR-AM).


Pelo menos 22 pessoas perderam os cargos na pasta e nos órgãos vinculados (Dnit e Valec), a maior parte ligada ao PR. O partido, que sempre foi aliado de primeira linha do PT, chegou a declarar "independência" do governo.


Nascimento, que é senador pelo PR, foi substituído por Passos, que também é filiado ao partido e ocupava a Secretaria-Executiva da pasta na época dos escândalos. O partido, porém, não o reconhece como sua indicação.


Na entrevista de ontem, Passos chegou a admitir que o nível de fiscalização hoje em dia deixa a desejar. "Afirmar isso [que não havia fiscalização) é fazer uma afirmação exagerada. Havia fiscalização.


Mas nós podemos e devemos avançar para mecanismos mais aprimorados e rigorosos. Havia uma fiscalização deficiente", afirmou.




'Me tomaram o Dnit sem pedir licença', diz ex-diretor do órgão

RODRIGO VARGAS - CUIABÁ


Pouco mais de um mês após se desligar oficialmente da diretoria do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antônio Pagot definiu a si mesmo como "um injustiçado" e disse em entrevista à Folha que nunca mais pretende assumir um cargo na administração pública.


"Gostaria de ter saído em outra situação. Não da forma extremamente degradante como foi. Me tomaram o Dnit sem pedir licença", afirmou ele, que pediu exoneração no dia 25 de julho após sofrer pressão do Planalto em meio a acusações de corrupção no Ministério dos Transportes.


Pagot disse que não teve acesso ao conteúdo do relatório divulgado anteontem pela CGU (Controladoria-Geral da União), que apontou prejuízo de R$ 682 milhões em obras da pasta.


Segundo o ex-diretor, porém, os órgãos de controle sempre foram "como anjos da guarda". "Nos três anos que trabalhei no Dnit, a CGU sempre esteve presente, inclusive com uma sala, e fez relatórios anuais."


Pagot disse que as acusações no Dnit são "infundadas" e negou que tenha tido crescimento patrimonial incompatível com seus ganhos.


"A minha evolução é lenta e gradual. Não comecei a trabalhar com agropecuária no Dnit. Já era plantador de arroz e criador de gado."


Sobre a casa de três pavimentos que vem construindo em Cuiabá -uma obra avaliada por corretores em R$ 2,5 milhões-, Pagot se disse disposto a negociar o imóvel em "condições facilitadas".


"Quer comprar minha casa? Te vendo em cinco parcelas de R$ 100 mil a cada dois meses. O que você conseguir a mais do que isso, faça bom proveito", afirmou.


ESTUDOS


Sob a quarentena imposta a ex-ocupantes de cargos públicos de primeiro e segundo escalões, Pagot afirmou que irá respeitar o prazo de quatro meses sem atuar no setor privado. Mas afirmou que vem "estudando por conta própria" o setor hidroviário para possíveis investimentos.


"Estou na fase de estudos e devo ficar assim mais uns 60 a 90 dias. A partir daí, vou provavelmente abrir uma empresa ou vou trabalhar especificamente em algum projeto", disse.


Ele chamou de especulações os rumores de que teria se associado ao prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz (PPS), sócio-fundador da Fiagril Participações, em uma companhia de navegação no rio Tapajós.


"A Fiagril é uma conversa de longa data. Tem uns dois anos que vêm me cutucando neste assunto. Mas isso é mais em função da amizade que a gente tem. Não há nada concreto", afirmou.


O ex-diretor disse ainda que já recebeu "diversos convites" de empresas, inclusive estrangeiras, para assumir postos executivos em 2012.


À administração pública, Pagot disse que não pretende voltar. "Eu já dei a minha contribuição. Já está de bom tamanho."

Do Blog:
Desde quando o Dnit pertence ao larápio?
Pausa para vomitar.











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